A prisão e condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado, decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, colocou lenha na fogueira da sessão plenária da Câmara do Rio nesta terça-feira (25). O que começou com uma provocação musical do vereador Leonel de Esquerda (PT) terminou em bate-boca, puxão de orelha do presidente Carlo Caiado (PSD) e ameaça de representação no Conselho de Ética por parte do líder bolsonarista Rogério Amorim (PL).
O clima esquentou quando Leonel subiu à tribuna para comemorar a prisão do ex-mandatário. Em vez de discursar, o nobre decidiu cantar. Entoando os versos de “Vou Festejar”, clássico de Beth Carvalho, ele provocou a bancada de direita: “Pode chorar, é o teu castigo”.
A performance foi interrompida por Caiado que cortou a cantoria: “Lugar de respeito, vereador”. Leonel, no entanto, manteve a ironia. “Sei que sou desafinado, mas não dá para, na Casa do Povo, deixar de comemorar a vitória da democracia”, disse, chamando Bolsonaro de “bandido punido na forma da lei” e afirmando que o ex-mandatário “está no lugar de direito, que é a prisão”. O presidente da Casa deixou o edil concluir, mas registrou a crítica.
Reação de Amorim e troca de acusações
Se Caiado tentou manter a ordem, Rogério Amorim (PL) partiu para o revide. O líder bolsonarista subiu ao ringue classificando o mandato de Leonel como uma “galhofa improdutiva” e defendeu o ex-presidente como um “perseguido político” pelo “maravilhoso mundo de Alexandre de Moraes”.
Aí a temperatura, que já estava alta, ferveu. Leonel, que não leva desaforo para casa — e às vezes leva até agressão física, como fez questão de lembrar —, voltou ao microfone desenterrando esqueletos. O petista acusou Amorim de supostos desvios quando foi secretário de Defesa do Consumidor de Castro, em 2022, e rememorou a agressão sofrida pelo irmão do colega de parlamento, o deputado Rodrigo Amorim (PL), durante a campanha passada.
O líder da bancada do PL, como era de se esperar, não se contentou e voltou a retrucar. Amorim relembrou as acusações do envolvimento de Leonel no caso dos pagamentos de cabos eleitorais de candidatos da esquerda, na última eleição, pela UERJ, além de exigir que o opositor prove as acusações feitas e dizer que vai entrar com uma representação no Conselho de Ética da Casa.
Caiado x Leonel
O bate-boca generalizado fez Caiado subir o tom como poucas vezes se viu. Ao ser questionado por Leonel sobre o direito de fala, o presidente foi taxativo. “Vossa excelência usou o microfone não para parlar, mas para cantar. O parlamento merece respeito. Escutei vossa excelência falar, não tentei cercear de forma alguma, mas você abriu o microfone cantando e fazendo deboches”.
O petista tentou retrucar gesticulando, o que fez Caiado subir o tom. “Vossa excelência continua com falta de respeito com este parlamento. Aqui tem que ter respeito. Ainda te deixei falar. Se quiser entrar contra mim no Conselho de Ética, pode entrar, se achar que fiz qualquer coisa para cercear o seu mandato”.
Entre Beth Carvalho, acusações criminais e troca de farpas, a sessão terminou com um saldo claro: a polarização nacional segue fazendo do plenário do velho Palácio Pedro Ernesto um dos octógonos mais imprevisíveis — e que se Leonel pensou em investir na carreira de cantor, é melhor continuar na política.






Deixe um comentário