A sessão extraordinária da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) que decidiu, nesta segunda-feira (08), revogar a prisão preventiva do presidente da Casa, Rodrigo Bacellar (União Brasil), acabou se transformando em um termômetro político.
O resultado não apenas libertou o parlamentar, como também consolidou posições e expôs fissuras internas em diversas bancadas, com destaque para movimentos entre governistas, opositores e partidos tradicionalmente alinhados ao Executivo.
Entre os governistas, chamou atenção a postura dos deputados Célia Jordão, Douglas Gomes e Márcio Gualberto, todos do PL, que votaram pela manutenção da prisão – o Delegado Carlos Augusto optou pela abstenção. Gomes e Gualberto, por sua vez, anteciparam seus votos nas redes sociais.
A dissidência ocorreu após o presidente estadual da legenda, Altineu Côrtes, ter liberado a bancada para votar segundo suas convicções. As escolhas, porém, repercutiram de maneiras distintas.
O voto de Célia Jordão também teve um pitada de vingança. Em julho, a deputada perdeu a titularidade na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para Alexandre Knoploch, após participar da articulação que buscava uma candidatura alternativa ao governo estadual em 2026.
Já Gomes e Gualberto se tornaram alvo indireto de críticas durante a sessão. Índia Armelau afirmou que, “quando o pau canta, até alguns da direita são covardes”, frase que provocou reação imediata de Douglas Gomes.
Ele afirmou que exigia respeito ao seu posicionamento e relatou ter sofrido pressão para mudar o voto, dizendo que poderia até perder a suplência na Casa, mas que manteve sua posição pensando no eleitorado. Gualberto também minimizou possíveis retaliações e destacou que não ocupa cargos estratégicos, apesar de presidir a Comissão de Segurança Pública.
Movimentos no PSD
No PSD, o clima também foi de divisão. A direção estadual havia orientado a bancada a votar pela manutenção da prisão, mas Munir Neto e Lucinha contrariaram a determinação.
Cláudio Caiado, que anunciou publicamente que não seguiria a orientação partidária, mudou a rota após uma reunião realizada na sexta-feira (05) com o prefeito Eduardo Paes, Eduardo Cavaliere, o deputado federal Pedro Paulo, o secretário municipal de Esportes e deputado licenciado Guilherme Schleder, além do presidente da Câmara do Rio, Carlo Caiado.
Apesar da reaproximação, Cláudio Caiado acabou não comparecendo à sessão desta segunda-feira. O gesto foi interpretado como uma forma de reduzir desgaste político sem confrontar abertamente a direção da legenda.
Voto isolado no PT e no PDT
No PT, a divergência ficou por conta de Carla Machado, que votou pela liberdade de Bacellar apesar da orientação da sigla pela manutenção da prisão. A deputada tem forte ligação política e pessoal com o presidente afastado da Alerj, que chegou convidá-la para ingressar no União Brasil. Os demais integrantes da bancada seguiram a diretriz partidária.
Pelo PDT, na ausência da deputada licenciada Martha Rocha, titular da secretaria de Assistência Social da prefeitura do Rio, coube a Vitor Júnior apoiar o relaxamento da prisão de Bacellar. Além de serem de Campos, o pedetista já havia declarado apoio ao presidente da Alerj na eleição de 2026.
MDB dividido entre disputa interna e cautela jurídica
No MDB, o quadro também foi heterogêneo. Rafael Picciani preferiu se abster, alegando conflito de interesse devido a uma investigação determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo a chamada Carta Picciani, que trata de sua nomeação para a Secretaria de Esportes e Lazer. A mudança permitiu que TH Jóias assumisse sua cadeira na Alerj, motivo pelo qual Picciani afirmou não ter condições de votar.
Já Rosenverg Reis fez questão de ser o primeiro a registrar sua posição pela manutenção da prisão. Inimigo declarado de Bacellar, ele carrega desavenças antigas relacionadas à exoneração de seu irmão, Washington Reis, do comando da Secretaria de Transportes quando Bacellar assumiu interinamente o governo.






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