Voo para Israel despenca 4 mil metros após briga entre pilotos e faz pouso forçado; autoridades investigam terrorismo (vídeos)

Aeronave chegou a emitir código de sequestro; piloto e copiloto ficaram feridos e foram hospitalizados

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Uma briga entre pilotos a bordo de um voo da Flydubai com destino a Israel provocou uma situação de emergência no ar e obrigou a aeronave a desviar sua rota para a Arábia Saudita nesta quarta-feira (30). O piloto e o copiloto ficaram feridos e foram hospitalizados após o pouso, enquanto todos os passageiros foram retirados da situação em segurança, segundo autoridades sauditas e a companhia aérea.

O voo FZ1073 havia partido de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, com destino a Tel Aviv. Enquanto sobrevoava a região da Jordânia, a aeronave emitiu diferentes sinais de emergência e mudou de direção para pousar no aeroporto de Tabuk, no noroeste saudita.

Dados do Flightradar24 mostram que o avião transmitiu inicialmente o código 7700, utilizado para emergências gerais, depois o 7500, associado a interferência ilícita ou sequestro, e novamente o 7700. A aeronave também realizou uma descida abrupta antes de estabilizar o voo.

Segundo a Reuters, autoridades israelenses afirmaram que os sinais foram enviados após um confronto físico entre os pilotos. O governo de Israel passou a investigar se o episódio poderia ter sido uma tentativa de ataque deliberado, mas a motivação ainda não havia sido estabelecida.

Veja abaixo o vídeo publicado por Nabila Jamal, editora da CNN, em seu perfil na rede X (atenção, imagens fortes).

Vídeo publicado em @nabilajamal.

Avião perdeu altitude rapidamente

Dados de rastreamento indicam que o Boeing 737 sofreu uma queda acentuada de altitude durante o incidente. Segundo informações divulgadas pelo Flightradar24 e pela Reuters, foram aproximadamente 14 mil pés em menos de 30 segundos, antes de a situação ser controlada.

O avião pousou em Tabuk por volta das 4h30, pelo horário de Brasília. A Flydubai confirmou que houve um “incidente” durante o trajeto e informou que todos os passageiros estavam seguros.

Apesar do acionamento do código associado a sequestro, um porta-voz do gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que as informações iniciais indicavam que não se tratava de um sequestro da aeronave. As autoridades israelenses, no entanto, continuaram apurando as circunstâncias do episódio.

O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, apresentou uma interpretação mais grave do caso e afirmou que “um terrorista planejou derrubar um avião e assassinar os 180 israelenses a bordo”. Até o momento, essa versão não foi estabelecida como conclusão da investigação.

Passageira relata gritos, faca e sangue

Relatos de passageiros indicam que o confronto dentro da aeronave provocou momentos de pânico. A mãe de uma passageira contou à Reuters o que ouviu da filha Miriam após o pouso.

“Ela me ligou [após aterrissar] e disse que eles ouviram vozes, alguém pediu ajuda. Era o piloto. Ele estava gritando: ‘Ajuda, ajuda, ajuda!’. O avião começou a perder o controle, então todas as pessoas começaram a gritar e acharam que iriam morrer”, disse Yasmin Abu Kasis, com base no relato da filha Miriam.

Segundo Yasmin, outras pessoas assumiram o controle da aeronave depois do tumulto.

“Depois de alguns minutos, outros dois pilotos assumiram o controle. Alguns israelenses correram até um homem, e nesse momento ele pegou uma faca e tentou matar o piloto. Eles seguraram a mão dele e o colocaram no chão. Havia muito sangue por toda parte”, completou Yasmin.

Ela afirmou ainda que os passageiros ficaram “estressados e em choque” com a situação.

Relatos sobre uma agressão com faca também apareceram na imprensa israelense, mas as autoridades ainda investigam exatamente como ocorreu o confronto e quem iniciou as agressões.

Veja mais vídeo do ocorrido abaixo:

Incidente mobiliza governo israelense

A emergência provocou uma operação de segurança em Israel. A situação ganhou sensibilidade adicional porque Israel e Arábia Saudita não mantêm relações diplomáticas formais.

Benjamin Netanyahu realizou consultas sobre o episódio, enquanto seu gabinete informou que trabalhava para garantir o retorno dos passageiros israelenses. A imprensa de Israel afirmou ainda que o Mossad, serviço de inteligência responsável por operações externas do país, passou a acompanhar a investigação.

Segundo a mídia israelense citada pela Reuters, havia aproximadamente 150 passageiros israelenses no voo. A Flydubai mantém uma rota regular entre Dubai e Tel Aviv.

Horas depois, um segundo voo da companhia com destino a Tel Aviv também mudou de rota e retornou a Dubai. Naquele momento, não havia confirmação de que essa segunda ocorrência tivesse relação com o episódio no FZ1073.

A Flydubai informou que estava trabalhando com as autoridades competentes para esclarecer o que ocorreu e que divulgaria novas informações à medida que os fatos fossem confirmados.

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