Violência contra o idoso atinge público entre 70 e 74 anos e principais agressores são os filhos

Segundo dados da Comissão de Assuntos da Criança, do Adolescente e do Idoso, da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), o grupo da Terceira Idade que mais sofre com a violência, em território fluminense, está na faixa etária entre 70 e 74 anos. Cerca de 90% dos casos ocorrem nas residências e são praticadas pelos próprios…

Segundo dados da Comissão de Assuntos da Criança, do Adolescente e do Idoso, da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), o grupo da Terceira Idade que mais sofre com a violência, em território fluminense, está na faixa etária entre 70 e 74 anos. Cerca de 90% dos casos ocorrem nas residências e são praticadas pelos próprios filhos. Os dados foram apresentados em audiência pública, nesta segunda-feira (06/11), na Câmara de Vereadores de Volta Redonda.

Só o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) da cidade registrou, entre janeiro e setembro deste ano, 173 casos de idosas vítimas de violência intrafamiliar e outros 163 de negligência ou abandono. A assistente social e coordenadora do órgão, Ana Carolina Coelho, explicou que, além dos crimes de violência física e psicológica, também há relatos de exploração do recurso financeiro sem o consentimento da vítima, violência sexual e discriminação.

“A violência física é mais comum de ser identificada porque deixa marcas. Já o abuso psicológico é mais difícil de ser detectado porque muitas vezes ocorre de forma sutil. Outro tipo de violência que é muito comum é o abuso financeiro. Se lúcido e orientado, o idoso tem autonomia sobre seus gastos”, salientou.

Para o defensor público Erick Ferreira de Souza, é preciso que haja uma rede de saúde e socioassistencial para detectar a violência física e psicológica, além de incluir a Defensoria Pública entre os órgãos a serem comunicados em casos identificados pelas equipes de assistência social.

“Vejo a necessidade muito grande de melhora da integração operacional entre os órgãos que formam a rede de proteção. É preciso que haja mecanismos mais eficazes de detecção da violência, especialmente por terceiros”, comentou Souza.

Outro tipo de violência abordada foram os golpes aplicados através da internet. O advogado Rodrigo Duarte Batista da Silva explicou que esses casos são frutos do incremento tecnológico que fez com que as pessoas mais velhas se tornassem “imigrantes digitais”.

“É importante que a gente compreenda a causa dessa vulnerabilidade. É difícil comparar uma pessoa que já nasceu nessa era tecnológica com um idoso, que são imigrantes digitais obrigados a entrar nesse ambiente. Com a pandemia, os golpes se intensificaram”, destacou o especialista.

Segundo o presidente do colegiado da Alerj, deputado Munir Neto (PSD), o encontro teve como objetivo ampliar a conscientização sobre o tema e a discussão de políticas públicas a favor da população idosa na região sul do estado. “Nós abordamos medidas para prevenir a violência, negligência e abuso contra a pessoa idosa”, disse o parlamentar.

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