O Junho Violeta, campanha nacional de conscientização e combate à violência contra a pessoa idosa, ganhou ainda mais relevância diante do aumento de casos de agressões, maus-tratos e fraudes financeiras registradas em diferentes regiões do país. No Rio de Janeiro, órgãos estaduais intensificaram ações de orientação e prevenção para proteger uma população cada vez mais exposta a crimes presenciais e virtuais.
Um caso recente chamou a atenção nesta semana. Policiais do programa Segurança Presente prenderam um homem acusado de agredir uma mulher de 73 anos no Leblon, na Zona Sul do Rio. A vítima recebeu acolhimento e foi encaminhada à rede de proteção social, evidenciando a importância da integração entre forças de segurança e assistência social, informa o jornal O Globo.
Campanha reforça proteção aos idosos
Durante todo o mês de junho, a Polícia Militar e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos promovem ações voltadas à conscientização da população sobre os direitos das pessoas idosas e os mecanismos de denúncia disponíveis.
As autoridades orientam que situações de violência física, psicológica, patrimonial, abandono ou negligência sejam comunicadas por meio do telefone 190, do aplicativo 190RJ ou do Disque 100, serviço nacional disponível 24 horas para denúncias de violações de direitos humanos.
Além da prevenção à violência, a campanha tem dedicado atenção especial ao crescimento dos golpes financeiros e das fraudes praticadas contra idosos.
Tecnologia como ferramenta de prevenção
A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos realizou atividades em municípios como Mendes, São Francisco de Itabapoana, Aperibé, Nova Iguaçu, Porciúncula, Araruama, Arraial do Cabo e Belford Roxo. Outras ações também estão programadas para as próximas semanas.
Entre as iniciativas está a dinâmica “Pelo direito de continuar sonhando”, que utiliza recursos de realidade virtual para estimular reflexões sobre projetos de vida e fortalecer a autoestima dos participantes.
Outra atividade promove a troca de cartas entre idosos de diferentes cidades, incentivando a convivência, a construção de vínculos e a disseminação de informações sobre direitos e formas de proteção.
Segundo a superintendente de Políticas para a Pessoa Idosa, Loana Saldanha, o avanço das fraudes exige investimentos constantes em informação e capacitação.
Ela destaca que a tecnologia pode representar inclusão social, mas também abrir espaço para novas modalidades de golpes, tornando essencial a preparação das equipes técnicas e dos próprios idosos para reconhecer ameaças e utilizar ferramentas digitais com segurança.
Golpistas usam laços afetivos para enganar vítimas
Uma das modalidades que mais preocupa especialistas é o chamado “golpe do amor”. Nesse tipo de fraude, criminosos criam relacionamentos falsos pela internet para conquistar a confiança das vítimas e obter dinheiro.
A aposentada Gelcimar da Silva Cruz escapou de uma tentativa de golpe após receber uma ligação de um homem que se passou por seu filho e pediu uma transferência bancária urgente. Desconfiada da situação, ela resolveu confirmar a história pessoalmente e descobriu a fraude antes de sofrer prejuízos.
Casos semelhantes têm sido registrados em diversas partes do país. Em maio, um grupo suspeito de aplicar o golpe do amor contra uma idosa de 71 anos foi preso em Belém. Segundo as investigações, os criminosos utilizavam a imagem do ator Keanu Reeves para simular um relacionamento virtual. O prejuízo estimado chegou a R$ 300 mil.
Na mesma semana, uma mulher foi presa em Goiânia após se passar por um cantor internacional e causar perdas financeiras de aproximadamente R$ 60 mil a uma idosa.
Estelionato está entre os crimes mais frequentes
Dados do Dossiê da Pessoa Idosa de 2024 mostram que o estelionato figura entre os delitos mais praticados contra esse público. O levantamento aponta que 84% das ocorrências acontecem durante o dia, principalmente às terças e quintas-feiras.
O estudo também identificou crescimento dos registros de violência contra idosos no estado, com quase 200 vítimas de maus-tratos no período analisado. Mais da metade dos casos ocorreu dentro do ambiente familiar.
Especialistas alertam que as fraudes atuais são baseadas em técnicas de engenharia social, nas quais criminosos estudam hábitos, comportamentos e vulnerabilidades para construir histórias convincentes.
Entre os principais sinais de alerta estão pedidos de dinheiro, solicitações urgentes de transferências bancárias, resistência a chamadas de vídeo, recusas a encontros presenciais e pedidos para manter relacionamentos em segredo.
Informação é a principal defesa
Especialistas em direito digital e segurança da informação reforçam que a prevenção continua sendo a ferramenta mais eficaz contra golpes financeiros. A orientação é desconfiar de contatos inesperados, confirmar informações por canais oficiais e jamais realizar transferências sem verificar a identidade do solicitante.
Com o envelhecimento da população brasileira e a crescente presença dos idosos no ambiente digital, campanhas como o Junho Violeta buscam ampliar a conscientização e fortalecer a rede de proteção, garantindo mais segurança, autonomia e qualidade de vida para esse público.






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