Vigília diante da Igreja da Candelária lembra os 30 anos da chacina que matou oito jovens no Centro do Rio

Foi realizada na noite de hoje (21) na frente da Igreja da Candelária, no Centro do Rio, uma vigília com familiares de vítimas da violência do Rio de Janeiro e integrantes de movimentos sociais para lembrar os 30 anos da chacina da Candelária. A chacina completa 30 anos no próximo domingo. A ação foi organizada pela…

Foi realizada na noite de hoje (21) na frente da Igreja da Candelária, no Centro do Rio, uma vigília com familiares de vítimas da violência do Rio de Janeiro e integrantes de movimentos sociais para lembrar os 30 anos da chacina da Candelária. A chacina completa 30 anos no próximo domingo.

A ação foi organizada pela líder do movimento Candelária Nunca Mais, Patrícia Oliveira, que é irmã de Wagner dos Santos, principal testemunha do crime e que atualmente vive fora do Brasil em um programa de proteção. A ativista falou com o G1sobre a sensação de voltar ao local do crime.

A irmã de um dos sobreviventes da chacina também criticou o atual momento da sociedade brasileira. Segundo ela, um exemplo de intolerância foi o ataque à cruz colocada no gramado em frente à igreja da Candelária. O símbolo em homenagem aos jovens mortos já foi destruído quatro vezes.

“A sociedade é intolerante. Ela entende que Vigário Geral foi uma chacina, mas a Candelária foi uma faxina. (…) A sociedade está bem mais egoísta agora”, disse Patrícia, antes de comentar sobre o que espera a partir de agora.

Líder do Movimento Moleque, um dos grupos que participa da vigília, a vereadora Mônica Cunha (Psol) afirmou que a manifestação representa a revolta da sociedade contra as injustiças do Estado.

“Fazemos essa vigília pra lembrar que essas crianças mortas tinham famílias, vieram de um útero negro”, disse a parlamentar.

No dia 23 de julho de 1993, oito jovens com idade entre 11 e 19 anos foram mortos por policiais militares. O crime que chocou o país e ganhou repercussão internacional aconteceu no início da madrugada de uma sexta-feira.

Usando dois carros com as placas cobertas por plásticos, os criminosos chegaram até um grupo de mais de 40 meninos e jovens que dormiam na região da Igreja da Candelária, no Centro do Rio de Janeiro.

Eles saíram do carro e perguntaram por Marcos Antônio da Silva, o Come-Gato, um dos garotos. De acordo com testemunhas, eles atiraram e houve correria. Quatro meninos morreram no local. Ruço, outro apelido de Marcos, também foi atingido. Ele ficou internado em coma por dias, mas não resistiu aos ferimentos e acabou morrendo.

Um grupo com outros jovens foi levado no porta-malas de um dos carros para o Parque do Flamengo, na Zona Sul. Todos foram baleados, apenas um sobreviveu.

Com informações do G1.

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