Depois de enfrentar uma sequência de fracassos e explosões, a SpaceX alcançou um marco histórico nesta terça-feira (26). No décimo teste do Starship, maior foguete já construído, a empresa de Elon Musk conseguiu cumprir todos os objetivos planejados, incluindo a liberação bem-sucedida de oito simuladores de satélites Starlink no espaço.
A decolagem ocorreu às 20h30, direto da Starbase, no Texas, após duas tentativas canceladas por problemas técnicos e condições climáticas desfavoráveis. Desta vez, o lançamento foi bem-sucedido: o primeiro estágio, conhecido como Super Heavy, concluiu sua subida mesmo com a falha de um dos 33 motores — cenário previsto no projeto, que tem redundâncias para garantir estabilidade. A descida também foi um sucesso, com um pouso controlado no Golfo do México.
O segundo estágio, o Starship propriamente dito, atingiu uma “quase órbita”, seguindo a trajetória suborbital definida pela SpaceX. Essa estratégia de voo reduz riscos ambientais, já que impede que o veículo permaneça em órbita caso ocorra algum problema. Durante a missão, o foguete completou com sucesso o teste de liberação dos simuladores de satélites, um passo fundamental para o futuro da constelação Starlink, que deverá lançar até 60 satélites por voo quando as operações estiverem plenamente ativas.
Outro destaque foi o reacendimento dos motores do segundo estágio, realizado 37 minutos após o lançamento — uma manobra que havia falhado nas tentativas anteriores. Cerca de 45 minutos após a decolagem, começou a fase crítica da reentrada, com foco no desempenho do escudo térmico. O veículo foi equipado com diferentes tipos de telhas e espaçamentos para testar resistência ao calor extremo, fator essencial para permitir a reutilização do foguete.
Apesar do sucesso, a SpaceX ainda enfrenta grandes desafios antes que o Starship possa ser usado em missões para a Lua e Marte. A empresa planeja lançar ainda em 2025 mais dois veículos da versão 2 e, em seguida, iniciar os testes da versão 3, que terá motores Raptor aprimorados e deve tentar, pela primeira vez, recuperar o segundo estágio diretamente na plataforma de pouso.
Para 2026, a meta é demonstrar o reabastecimento em órbita e realizar um pouso lunar não tripulado, passo crucial antes de transportar astronautas na missão Artemis 3, atualmente prevista para 2027. Mesmo assim, especialistas avaliam que o cronograma segue apertado, e o desenvolvimento do maior foguete do mundo ainda tem um longo caminho pela frente.
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