Resgate terrestre é mais indicado do que helicóptero em operações de salvamento em áreas montanhosas e de grande altitude. Essa foi a avaliação do major Fábio Contreiras, do Corpo de Bombeiros do Rio, ao comentar o desaparecimento da brasileira Juliana Marins, de 26 anos, que caiu durante uma trilha no Monte Rinjani, na Indonésia.
A publicitária foi vista pela última vez na sexta-feira (21), após relatar cansaço e se afastar do grupo. Um dos últimos sinais foi uma lanterna avistada cerca de 200 metros abaixo de um penhasco. Juliana teria caído mais de 300 metros em uma encosta íngreme a 3.726 metros de altitude, um local de acesso extremamente difícil — e quase impossível de alcançar por via aérea.
De acordo com o major Contreiras, o resgate aéreo é frequentemente inviável em ambientes como esse. “A altitude reduz a sustentação da aeronave e exige potência específica. Além disso, o voo precisa ser visual, o que se complica com a neblina, nuvens e ventos fortes”, explicou o especialista. Ele ressaltou que o helicóptero, se utilizado, só pode levar poucos equipamentos e pessoas, o que compromete a operação.
Por isso, o resgate terrestre se mostra mais seguro e eficaz, mesmo sendo mais lento e desgastante. “É necessário contar com equipes de montanhistas experientes, que conheçam a região e estejam equipadas com cordas, GPS de alta precisão, rádios, medicamentos e equipamentos de pernoite”, afirmou o major.
Outro ponto crucial, segundo o especialista, é o tempo de resposta. “A vítima pode estar enfrentando hipóxia, frio intenso, desidratação e até hipoglicemia. Cada minuto conta”, alertou. Para ele, o ideal seria uma operação híbrida: socorristas indo de helicóptero até o ponto mais próximo e completando o trajeto a pé.
A estrutura mínima de uma operação como essa, afirma Contreiras, inclui uma equipe terrestre de pelo menos 10 militares, além de tripulação aérea, médicos, apoio logístico e suporte de retaguarda — totalizando até 25 pessoas. Todos devem seguir protocolos internacionais rigorosos para garantir a segurança da vítima e dos próprios socorristas.
A situação de Juliana Marins ainda mobiliza equipes locais e preocupa familiares no Brasil. Enquanto isso, o alerta dado por especialistas como Contreiras serve como um chamado à importância do preparo técnico e planejamento em expedições de aventura, especialmente em regiões remotas e perigosas como o Monte Rinjani.





