A vereadora Gisele Klinger (PSB) e o prefeito de Volta Redonda, Antônio Francisco Neto (PP), protagonizaram um bate-boca na manhã desta quarta-feira (8), na sede da Prefeitura, durante reunião entre vereadores e representantes do governo para debater a proposta do Executivo de corte unilateral de 25% nos salários dos médicos da Atenção Básica. O embate se acirrou quando a vereadora defendeu os profissionais de saúde e criticou a decisão da administração municipal.
Os profissionais da rede municipal haviam apresentado uma proposta para evitar a redução salarial, que atinge 87 médicos das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e das Unidades de Saúde da Família (UBSF).
Antes da reunião, Gisele Klinger havia publicado nas redes sociais que buscava diálogo para evitar prejuízos ao atendimento da população. No entanto, durante o encontro, a conversa se transformou em uma troca de acusações entre a vereadora e o prefeito.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram Neto elevando o tom de voz e chamando a vereadora de mentirosa, afirmando que os médicos não são funcionários públicos, mas contratados. Gisele reagiu pedindo respeito, mas foi novamente interrompida pelo prefeito, que encerrou a discussão de forma rispida: “Vai plantar batata! Vai embora, porra! Eu não sou funcionário!”, gritou Neto, segundo registro em vídeo
O desentendimento começou quando Gisele apresentou documentos sobre contratos de profissionais contratados por RPA (Recibo de Pagamento Autônomo), cujos valores, segundo ela, chegam a mais de R$ 40 mil, mais que o dobro do salário dos médicos da rede básica.
“Durante a reunião, defendi que não se cortem os salários dos médicos que estão na linha de frente da saúde pública. Em vez de dialogar com respeito, o prefeito se descontrolou e me chamou de mentirosa”, disse a vereadora em suas redes sociais. Ela classificou o episódio como “grave” e “criminoso” e afirmou ter sido vítima de violência política de gênero.
A discussão, acompanhada por outros vereadores, também envolveu a vereadora Carla Duarte (PSD), que aparece rindo durante o confronto. A atitude gerou críticas de internautas, principalmente de mulheres, que questionaram a coerência com o discurso de representatividade feminina defendido por Carla durante a campanha eleitoral.
O corte salarial, segundo a Prefeitura, faz parte de medidas de ajuste orçamentário, mas profissionais e parlamentares afirmam que a redução compromete a qualidade da Atenção Básica e gera impacto direto no atendimento à população.
Após o episódio, médicos da Atenção Básica da cidade emitiram uma nota de solidariedade à vereadora, destacando sua postura firme e corajosa e reforçando a necessidade de combater a violência política de gênero. O caso voltou a colocar em evidência o debate sobre a valorização dos profissionais de saúde e o papel da Câmara Municipal na fiscalização das políticas públicas voltadas à população.
Até o fechamento desta reportagem, nem a Prefeitura de Volta Redonda nem a Câmara Municipal haviam se pronunciado oficialmente sobre o caso.






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