Vídeo: Prefeito de Nova Friburgo se refugia em bunker em Israel com outros políticos brasileiros após escalada de conflito com o Irã

Johnny Maycon (PL-RJ) relata tensão e tentativa de retorno imediato ao Brasil; comitivas foram surpreendidas pelo fechamento do espaço aéreo

O prefeito de Nova Friburgo, Johnny Maycon (PL-RJ), passou por momentos de tensão na madrugada desta sexta-feira (13) ao precisar se abrigar em um bunker na cidade de Kfar Saba, em Israel. Ele está no país em viagem oficial, acompanhado de outros prefeitos do Brasil e da América Latina, e relatou o episódio em entrevista à GloboNews.

“A gente acorda assustado. Uma situação de alta tensão. Eu não me adaptei ao fuso horário, fui me deitar por volta de 2h30, bastante cansado. Por volta de 3h, teve o acionamento de alarmes e mensagens enviadas aos celulares. Eu não acordei porque tenho o hábito de deixar o aparelho no silencioso, mas ouvi pessoas gritando. Quando fui olhar, vi a mensagem de emergência extrema”, contou o prefeito.

Segundo Johnny Maycon, ele se dirigiu rapidamente ao abrigo acompanhado de um grupo de 18 pessoas.

“Fui imediatamente para o bunker, um quarto protegido que, se houver um ataque de mísseis, vai garantir proteção e segurança para quem estiver no local. Quando cheguei, quase todos já estavam lá.”

Além de Johnny, políticos brasileiros de pelo menos seis estados e do Distrito Federal precisaram buscar abrigo em instalações antiaéreas. As comitivas estavam em missão oficial em Tel Aviv e outras cidades israelenses, e foram surpreendidas pelo fechamento do espaço aéreo local, incluindo para voos comerciais.

Entre os abrigados estão prefeitos, vice-prefeitos e representantes de consórcios e secretarias estaduais e municipais. De acordo com a GloboNews, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), entrou em contato com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, ainda na quinta-feira, para alertar sobre a presença de autoridades brasileiras em Israel e solicitar apoio para garantir um retorno seguro ao Brasil. Ambos estão em território nacional.

Até esta sexta-feira (13), o Itamaraty não havia divulgado um posicionamento oficial sobre o auxílio aos grupos, nem havia previsão para a retomada dos voos comerciais com origem em Tel Aviv, cujo principal aeroporto permanece fechado por medida de segurança.

Quem são os políticos brasileiros afetados

Segundo levantamento do jornal O GLOBO, diversas autoridades confirmaram que se encontram em abrigos antiaéreos e aguardam instruções para deixar o país.

Veja os 19 nomes da delegação brasileira na missão oficial:

  • Rio de Janeiro (RJ) — Flavio Guimarães Bittencourt do Valle — Vereador
  • Rio de Janeiro (RJ) — Davi de Mattos Carreiro — Chefe Executivo do CIVITAS – Centro de Inteligência, Vigilância e Tecnologia para Apoio à Segurança Pública do Rio de Janeiro
  • Macaé (RJ) — Welberth Porto de Rezende — Prefeito
  • Niterói (RJ) — Gilson Chagas e Silva Filho — Secretário de Segurança Pública
  • Nova Friburgo (RJ) — Johnny Maycon — Prefeito
  • Aracaju (SE) — Dilermando Garcia Ribeiro Júnior — Secretário de Desenvolvimento
  • Belo Horizonte (MG) — Álvaro Damião Vieira da Paz — Prefeito
  • Belo Horizonte (MG) — Márcio Lobato Rodrigues — Secretário Municipal de Segurança Pública
  • Divinópolis (MG) — Janete Aparecida Silva Oliveira — Vice-Prefeita
  • Florianópolis (SC) — Maryanne Terezinha Mattos — Vice-Prefeita e Secretária de Segurança Pública
  • Goiânia (GO) — Claudia da Silva Lira — Vice-Prefeita
  • João Pessoa (PB) — Cícero de Lucena Filho — Prefeito
  • Joinville (SC) — Paulo Rogério Rigo — Secretário de Proteção Civil
  • Natal (RN) — Francisco Vagner Gutemberg de Araújo — Secretário de Planejamento
  • Porto Alegre (RS) — Alexandre Augusto Aragon — Secretário Municipal de Segurança Pública
  • Santarém (PA) — Francisco Nelio Aguiar da Silva — Presidente da FAMEP, ex-prefeito de Santarém e Secretário Regional de Governo para o Baixo Amazonas
  • São Luís (MA) — Verônica Pereira Pires — Secretária Municipal de Inovação, Sustentabilidade e Projetos Especiais
  • Uberlândia (MG) — Vanderlei Pelizer Pereira — Vice-PrefeitA equipe foi para lá em busca de “soluções inovadoras que possam ser aplicadas na cidade, fortalecendo políticas de segurança pública, ordenamento urbano e desenvolvimento sustentável”.

Após o primeiro alarme, o grupo deixou o bunker, mas precisou retornar cerca de 40 minutos depois.

“A recomendação é ficar por uns minutos até uma sinalização de que a situação está em normalidade e podemos retornar para nossos ambientes. Mas, ainda no corredor, por volta de 3h40, voltamos para o bunker, para garantir a nossa segurança”, disse Johnny Maycon.

O prefeito compartilhou nas redes sociais um alerta recebido no celular: “Ao receber um alerta, você deve entrar em uma área protegida e permanecer lá até receber uma nova mensagem”.

A comitiva brasileira tinha previsão de permanecer em Israel até o dia 20 de junho. No entanto, diante da escalada da crise, o grupo busca retornar ao Brasil o quanto antes e já acionou o Itamaraty para viabilizar uma saída segura.

“Para nós, brasileiros, que não somos acostumados com esse tipo de rotina, a gente fica bastante impactado. A tensão é muito alta”, afirmou Johnny.

Conflito entre Israel e Irã se intensifica

O episódio ocorreu horas após o início de uma nova ofensiva militar de Israel contra o Irã. Na madrugada desta sexta-feira (13), no horário local, as Forças de Defesa de Israel bombardearam infraestruturas nucleares iranianas. Entre os mortos estão o chefe da Guarda Revolucionária, Hossein Salami, o chefe das Forças Armadas, Mohammad Bagheri, e dois cientistas nucleares.

O ataque elevou o grau de alerta na região e levou o governo israelense a orientar sua população a se manter próxima de abrigos. Mais de 100 drones teriam sido lançados pelo Irã contra o território israelense em resposta.

Em um pronunciamento gravado com antecedência, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que os bombardeios visam conter “a ameaça iraniana à própria sobrevivência de Israel” e avisou que a operação continuará “por quantos dias forem necessários”.

O Aeroporto Ben Gurion, principal terminal aéreo de Tel Aviv, encontra-se fechado, o que tem dificultado a evacuação de estrangeiros e o deslocamento de delegações internacionais, como a do grupo brasileiro liderado por Johnny Maycon. A situação permanece volátil, com riscos crescentes de escalada no conflito.

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