O deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias (MDB), preso nesta quarta-feira (3) em uma operação da PF e do MPRJ, aparece em um vídeo curtindo um baile funk no Complexo do Alemão, reduto do Comando Vermelho, ao lado de dois investigados. Nas imagens, ele dança junto de Gabriel Dias de Oliveira, o Índio, apontado como um dos chefes da facção, e do influencer Hytalo Santos, preso por suspeita de tráfico de pessoas e exploração de menores.
Índio é um dos detidos na mesma ação que resultou na prisão de TH, nesta quarta. Veja o vídeo:
Ainda não há confirmação da data da gravação. No entanto, em 26 de setembro de 2023, Hytalo publicou em redes sociais um vídeo em que aparece agradecendo a TH Joias por um cordões recebido de presente. Assista:
O parlamentar é investigado por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção, além de suspeita de negociar armas com o Comando Vermelho. No total, outras 14 pessoas foram presas, entre elas policiais militares, um delegado da Polícia Federal e um ex-secretário de Estado (veja a lista abaixo).
Foram duas operações simultâneas. Ao todo, 18 pessoas foram alvo das ações — parte com mandados expedidos pela Justiça Federal, parte pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Tentativa de fuga
TH Joias deixou a mansão onde vivia em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, na noite anterior à operação que tinha como objetivo prendê-lo. Segundo o Ministério Público, a residência estava revirada, indício de tentativa de fuga e de eliminação de provas.
“O parlamentar havia saído do condomínio por volta das 21h40 [de terça-feira, 2], deixando a casa completamente desarrumada, o que pode sugerir uma fuga e o desfazimento de vestígios de fatos criminosos”, disse o procurador-geral de Justiça do RJ, Antonio José Campos Moreira, em coletiva nesta quarta-feira (3), no Centro do Rio.
Campos ressaltou que caberá à Assembleia Legislativa decidir sobre a manutenção da prisão. “Providências deverão ser adotadas pelo Tribunal de Justiça, a primeira será a realização de uma audiência de custódia e a comunicação formal da prisão em flagrante à Assembleia Legislativa. A Alerj pode deliberar, no sentido da manutenção, manter a prisão ou relaxar”.
A denúncia do MPRJ
A Procuradoria-Geral de Justiça denunciou o deputado e outros quatro acusados por associação para o tráfico e comércio ilegal de armamento restrito. O Órgão Especial do TJ-RJ autorizou quatro mandados de prisão e cinco de busca e apreensão em endereços na Barra da Tijuca, Freguesia e Copacabana.
Segundo os investigadores, o grupo mantinha laços estáveis com o CV, atuando nos complexos da Maré, Alemão e em Parada de Lucas. Além de intermediar drogas e armas, eles teriam fornecido equipamentos antidrones para dificultar operações policiais e movimentado grandes quantias em dinheiro vivo para financiar a facção.
Para o MPRJ, o parlamentar utilizou o mandato para favorecer a organização criminosa, inclusive nomeando comparsas para cargos na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
A Operação Bandeirantes contou, também, com o apoio da Policia Civil. O secretário da instituição, Felipe Cury, disse que o parlamentar já foi preso pelos mesmos crimes em 2017.
“Esse indivíduo, ele não estava representando os interesses da população do estado do Rio de Janeiro. Ele estava representando os interesses do Comando Vermelho, de uma facção criminosa”, declarou.
Na época, TH foi acusado de pagar propina a policiais, traficar armas e drogas e antecipar operações a facções.
Operação da PF
A Operação Zargun, conduzida pela Polícia Federal, pretendia cumprir 18 mandados de prisão preventiva e 22 de busca e apreensão, além do sequestro de bens avaliados em R$ 40 milhões.
Os investigados vão responder por organização criminosa, tráfico internacional de armas e drogas, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.
Lista dos presos
A operação encerrou com 15 presos. Confira a lista com os nomes divulgados até o momento:
- Gabriel Dias de Oliveira, o Índio, apontado como um dos chefes do Comando Vermelho;
- Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o Dudu, assessor parlamentar de TH;
- Alessandro Pitombeira Carracena, ex-secretário de Esportes;
- Delegado de Polícia Federal Gustavo Stteel
- Cabo Wallace Menezes Varges Tobias, do Batalhão de Operações Especiais da PM (Bope);
- Soldado Wesley Ferreira da Silva, do 31º BPM (Barra da Tijuca)
- Cabo Alexandre Marques dos Santos, do 4º BPM (São Cristóvão)
- Kleber Ferreira da Silva, ex-PM
- Rodrigo Costa Oliveira, PM
Governador Claudio Castro se manifesta
TH chegou à Alerj em 2024, assumindo a vaga do deputado Otoni de Paula Pai, falecido em maio daquele ano. O primeiro suplente, Rafael Picciani, preferiu permanecer como secretário de Esporte e Lazer do governo Cláudio Castro, abrindo espaço para Thiego.
Por meio das redes sociais, Castro determinou a volta de Picciani.
“Por minha determinação, o deputado estadual Rafael Picciani está retomando seu mandato na Assembleia Legislativa. Ele substitui o deputado estadual TH Joias, preso hoje em ação conjunta das polícias Civil e Federal e do Ministério Público. O retorno de Rafael já estava previsto, mas, diante da operação realizada hoje, decidimos antecipar. O trabalho integrado deixa um recado muito claro: a lei vale para todos”, pontou o governador.
A reportagem tenta localizar a defesa de TH e os demais citados, o espaço segue aberto para eventuais manifestações.
Nota do MDB
“Diante das notícias de que o deputado suplente TH Joias está sendo procurado pela polícia, com mandado de prisão por suspeita de tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro, além de negociar armas para o Comando Vermelho (CV), o MDB decidiu expulsar o parlamentar.
TH, que já não seguia a orientação partidária em seus posicionamentos e votações na Assembleia Legislativa do Rio, não fará mais parte dos nossos quadros.”
Nota da Polícia Militar
“A Corregedoria Geral da Corporação efetuou a prisão de três policiais militares nesta manhã, em desdobramento de uma ação da Polícia Federal, Ministério Público e Polícia Civil em andamento nesta quarta-feira (3/9), no Rio de Janeiro. Outros dois policiais foram presos na ação pela Polícia Federal. Os policiais serão conduzidos para a Unidade Prisional da SEPM. O Comando e a Corregedoria da Corporação continuam acompanhando e apoiando as investigações .
Ressaltamos que o comando da Corporação não compactua e nem tolera quaisquer desvios de conduta, cometimento de crimes ou abuso de autoridade praticados por seus entes, punindo com rigor os envolvidos quando constatados os fatos”.






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