Fogueiras acesas por pessoas em situação de rua na orla de Copacabana, um dos principais cartões-postais do Rio de Janeiro, têm gerado preocupação entre os moradores do bairro. Nesta semana, imagens publicadas nas redes sociais mostraram uma delas na Avenida Atlântica, próximo à Rua Figueiredo Magalhães, possivelmente para cozinhar alimentos.
A Sociedade Amigos de Copacabana, associação de moradores local, afirma que tem registrado as ocorrências e as repassado à Secretaria Municipal de Assistência Social (Smas) e aos agentes do programa Rio+Seguro. Segundo o presidente da entidade, Horácio Magalhães, as equipes abordam os grupos e solicitam a retirada dos pertences. No entanto, como o acolhimento não pode ser compulsório, muitos acabam retornando ao local.
Moradores também levantaram suspeitas sobre o consumo de drogas entre os grupos que acendem as fogueiras. Magalhães, no entanto, diz que não há flagrantes que confirmem essa relação. “Hoje em dia virou rótulo dizer que toda pessoa em situação de rua é ‘cracudo’, mas, na maioria das abordagens, não há uso de entorpecentes constatado”, afirma.
A Polícia Militar informou que o 19° BPM (Copacabana) intensificou o policiamento na região, com abordagens e revistas sistemáticas, e que a unidade recebeu recentemente um Grupamento de Ação em Motopatrulha. Segundo a corporação, muitos dos delitos no bairro envolvem pessoas em situação de vulnerabilidade, o que exige atuação conjunta de diferentes órgãos públicos.
Já a Secretaria Municipal de Assistência Social informou que esteve no local onde uma das fogueiras foi acesa e encontrou oito pessoas, que recusaram a oferta de acolhimento. Entre janeiro e julho deste ano, as equipes realizaram 6.518 atendimentos na região, resultando em 1.089 encaminhamentos para instituições.
Apesar do incômodo com as fogueiras, o Mapa do Crime, lançado no mês passado, aponta que Copacabana registrou queda significativa nos roubos: 48,5% a menos de celulares e 43,2% de assaltos a pedestres, em comparação com o ano anterior. Segundo policiais, a redução está ligada ao reforço do policiamento no bairro, o que fez com que parte da criminalidade migrasse para áreas próximas.






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