Criminosos ligados à facção Terceiro Comando Puro (TCP) lançaram, na noite de domingo (15), um artefato explosivo por um drone em uma praça na comunidade da Congonha, em Turiaçu, na Zona Norte do Rio. No momento do ataque, várias crianças brincavam no local e quase foram atingidas.
Imagens de uma câmera de segurança registraram o momento da explosão. O vídeo mostra um grupo de crianças correndo e gritando após a detonação, que ocorreu a poucos metros de uma delas. Assista:
O Agenda do Poder apurou que a 29ª DP (Madureira) abriu um inquérito para investigar o ataque. A principal suspeita é de que a ação tenha sido ordenada por Wallace Brito Trindade, conhecido como ‘Lacoste’, chefe do tráfico na comunidade da Serrinha. A motivação seria uma represália ao Comando Vermelho, facção rival que domina a Congonha.
A Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme) e o Esquadrão Antibomba da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) também investigam o caso.
“Até o momento, não há indício de que a explosão tenha sido causada por uma granada lançada de uma aeronave não tripulada. O caso é investigado, de forma conjunta”, disse, em nota, a Polícia Civil.
Quem é Lacoste?
Wallace Brito Trindade, conhecido como Lacoste, é o principal nome do Terceiro Comando Puro (TCP) no Complexo da Serrinha. A região, formada pelas comunidades da Serrinha, Fazenda, Patolinha, São José e Dendezinho, vive sob o domínio do criminoso há anos.
Apesar do sigilo em torno de sua rotina, Lacoste foi alvo de uma operação da Polícia Civil em 2019, que revelou parte do seu estilo de vida. Agentes localizaram uma residência do traficante no alto da Serrinha: casa com piscina, área gourmet, terraço com vista panorâmica e muros grafitados com imagens de jogadores do Flamengo.
Em 2021, o nome de Lacoste voltou ao radar da polícia com a descoberta de um plano de expansão territorial. O projeto, ainda em fase inicial, pretendia anexar ao domínio da Serrinha comunidades vizinhas, então controladas pelo Comando Vermelho (CV), como os morros da Congonha, Cajueiro e Vaz Lobo.
A ideia era formar uma nova área estratégica do TCP, batizada de Complexo de Jerusalém, numa alusão ao já consolidado Complexo de Israel, reduto comandado por Peixão. No entanto, o plano não foi adiante.
De acordo com as investigações, uma das suas táticas de conquista é cooptar rivais: traficantes do CV são abordados com propostas de trocar de lado mediante promessas de maior fatia nos lucros do tráfico.





