A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou neste sábado (3) que o país irá se defender de qualquer intervenção dos Estados Unidos e convocou ministros e a população a resistirem às ações norte-americanas. Em pronunciamento na TV estatal, ela declarou que a Venezuela “nunca será colônia de nenhuma nação”.
Rodríguez pediu calma à população e reforçou que Nicolás Maduro continua sendo o único presidente do país. Segundo ela, a captura de Maduro pelos EUA configura um “sequestro” promovido por Washington, rejeitando qualquer legitimidade da ação anunciada pelo governo norte-americano.
A declaração ocorreu em Caracas, ao lado do presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, do ministro do Interior, Diosdado Cabello, e dos titulares das pastas da Defesa e das Relações Exteriores, em meio a um clima de tensão após ataques registrados na capital.
Escalada militar e captura de Maduro
Mais cedo, os Estados Unidos realizaram ataques a pontos estratégicos de Caracas e capturaram o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa. De acordo com o governo americano, o casal foi levado para Nova York em um navio de guerra da Marinha dos EUA.
A operação ocorreu após meses de especulações e movimentações militares próximas à costa venezuelana. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que Washington assumirá o controle interino da Venezuela até que haja uma transição política.
Em resposta direta ao anúncio, Delcy Rodríguez reforçou que “a Venezuela só tem um presidente: Nicolás Maduro”, rejeitando qualquer tentativa de reconhecimento de um governo provisório apoiado pelos Estados Unidos.
Delcy Rodríguez é citada como possível interina
Fontes ouvidas pelo jornal The New York Times afirmaram que Delcy Rodríguez teria tomado posse como presidente interina em uma cerimônia reservada. No entanto, a vice-presidente não mencionou essa informação em seu discurso oficial.
Figura central do chavismo, Delcy Rodríguez nasceu em Caracas em 1969 e é irmã de Jorge Rodríguez, um dos principais articuladores políticos do regime. Ela ocupa atualmente um dos cargos mais influentes do governo venezuelano.
Apesar das especulações, Rodríguez manteve o discurso de continuidade do governo Maduro e de resistência às ações estrangeiras, sem confirmar qualquer mudança formal no comando do país.
Trump anuncia governo interino e domínio regional
Em pronunciamento feito em Mar-a-Lago, na Flórida, Donald Trump declarou que os EUA irão “administrar” a Venezuela de forma interina por meio de um grupo formado por integrantes do alto escalão de seu governo, até que ocorra uma transição “justa e legal”.
Trump não detalhou prazos nem os nomes que integrarão o grupo responsável pela administração provisória. Ele também descartou a inclusão da líder oposicionista María Corina Machado, afirmando que ela não teria apoio interno suficiente para governar.
Durante o discurso, o presidente norte-americano invocou a Doutrina Monroe e afirmou que “o domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado”, reforçando uma postura de ampliação da influência dos EUA na América Latina.
Petróleo venezuelano no centro da estratégia
Trump também anunciou que petroleiras norte-americanas passarão a atuar na indústria de petróleo da Venezuela. Segundo ele, empresas dos EUA investirão bilhões de dólares para recuperar a infraestrutura do setor e retomar a produção.
“Vamos fazer o petróleo fluir”, afirmou o presidente, alegando que a indústria petrolífera venezuelana teria sido “roubada” pelo regime socialista. Ele disse ainda que a China continuará recebendo petróleo venezuelano, mesmo com a entrada das companhias americanas.
Questionado sobre a comunicação prévia ao Congresso dos EUA, Trump afirmou que parlamentares foram informados apenas após a operação, alegando risco de vazamentos caso a informação fosse antecipada.
Possibilidade de novas ofensivas
O presidente norte-americano indicou que novas ações militares não estão descartadas e disse não ter receio de enviar tropas para a Venezuela. Segundo Trump, “maus elementos” ligados ao regime de Maduro ainda permanecem no país.
Ele classificou a captura de Maduro como a maior operação militar dos EUA desde a Segunda Guerra Mundial, afirmando que a ação durou apenas 47 segundos e envolveu forças aéreas, terrestres e marítimas.
Trump também declarou que a Justiça americana decidirá onde Maduro ficará detido enquanto aguarda julgamento nos Estados Unidos, sem informar quando o presidente venezuelano chegará a Nova York.






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