CAIO DE SANTIS (CORRESPONDENTE DO BLOG EM BRASÍLIA)
Favorito do prefeito Eduardo Paes para assumir o posto de vice em sua campanha à reeleição neste ano, o deputado federal Pedro Paulo (PSD) tenta neutralizar a resistência do núcleo governista ao seu nome. Com o posto de vice cobiçado por aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Pedro Paulo usa as redes sociais e seus posicionamentos em plenário para fazer acenos aos petistas, que ainda sonham em ver o posto de vice de Paes ocupado por um correligionário, como o ex-presidente da Alerj André Ceciliano, que hoje atua na estrutura da Secretaria de Relações Institucionais, em Brasília. Paes, entretanto, segue firme no objetivo de ter uma chapa “puro-sangue” – com vice do mesmo partido do candidato.
Na última semana, por exemplo, o parlamentar fluminense acompanhou a ala do PSD que votou pela manutenção da prisão do deputado Chiquinho Brazão, apontado como um dos mentores do assassinato da vereadora Marielle Franco, e elogiou Lula em suas redes sociais. Ele também usou a internet para acenar ao governo e dizer que Lula acertou ao publicar o veto parcial à “Lei das Saidinhas”.
Os petistas querem o posto de vice de Paes pela possibilidade de o atual prefeito se candidatar ao governo do estado em 2026, deixando a prefeitura nas mãos do vice por dois anos. Paes resiste à possibilidade de “passagem de bastão” para um petista e, em reuniões reservadas, pede o apoio de Lula à sua reeleição, mesmo sem dar o vice, sob a promessa de, eventualmente, atuar como cabo eleitoral do petista, que pode tentar a reeleição à presidência também em 2026. Como o Rio é o berço do bolsonarismo, Lula sabe que precisará de uma chapa forte no estado e, por isso, cogita aceitar Pedro Paulo como vice neste ano.
Mas, as resistências dos petistas ao nome do deputado carioca não são de hoje. Pedro Paulo votou pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016. Isto fez com que o nome dele fosse descartado para ocupar um ministério no início do governo, apesar de pressões feitas por Paes e pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.
Dentro do PT, uma ala encabeçada pela deputada Gleisi Hoffmann, defende que o posto de vice seja concedido a um petista. As pressões pelo nome de Ceciliano partem de Brasilia, sob o argumento de que a legenda precisa se fortalecer no Rio.





