Vereadores acionam MP por violência policial contra Gugu, dançarino dos Hawaianos

Artista foi agredido por policiais da Core durante uma operação na Cidade de Deus, na Zona Oeste, na última quinta-feira (19)

Os vereadores Leonel de Esquerda (PT) e Thais Ferreira (PSOL) — vice-presidente e vogal da Comissão de Combate ao Racismo da Câmara do Rio, respectivamente — protocolaram uma representação no Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) nesta terça-feira (23) contra a abordagem sofrida pelo dançarino Júlio César Minilesk Ferreira, o Gugu do grupo Os Hawaianos. O artista foi detido, algemado e agredido por policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) durante uma operação na Cidade de Deus, Zona Oeste, na última quinta-feira (19).

Imagens da ação, que circularam nas redes sociais, mostram o artista com o rosto ensanguentado, sendo conduzido por policiais sob protesto de familiares e moradores. Segundo testemunhas, Gugu, que é dono de um bar na comunidade, teria sido confundido com um criminoso após um suspeito, em fuga, ter largado uma sacola com drogas em seu estabelecimento. 

De acordo com o próprio dançarino, ele foi agredido com socos e chutes na frente de sua família, precisando levar cinco pontos no rosto. Segundo ele, os agentes chegaram a invadir sua casa, traumatizando os familiares — entre eles um filho de 16 anos diagnosticado com autismo. Sem ligação com o caso, Gugu acabou levado para a delegacia, onde foi reconhecido apenas como testemunha e liberado em seguida.

Na manifestação, os parlamentares afirmam que o episódio reflete a persistência do racismo estrutural, especialmente contra moradores negros de favelas, e pedem que o MP adote medidas de proteção ao funkeiro e sua família. Os vereadores também solicitam a responsabilização dos agentes.

“Se trata de uma abordagem preconceituosa, que desrespeita a dignidade humana e reforça o estigma absurdo de que todo negro morador de favela é criminoso. É papel do Estado reparar e impedir que situações como essa se repitam”, disse Leonel de Esquerda.

Repercussão no parlamento estadual

O caso também teve repercussão na Alerj, onde Gugu foi recebido pela Comissão de Direitos Humanos. A deputada Dani Monteiro (Psol), presidente do colegiado, classificou o ocorrido como “um absurdo” e afirmou que irá oficiar a Polícia Civil e o MP, solicitando acesso às câmeras corporais dos agentes.

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