A vereadora Maíra do MST (PT) desabafou, em exclusividade ao Agenda do Poder, sobre o desacato à homenagem póstuma ao ex-presidente Pepe Mujica do Uruguai, concedida pela presidência da Câmara do Rio, na sessão de terça-feira (13).
Em plenário, durante a discussão sobre o projeto de lei que disponibiliza cartazes que trazem informações sobre malefícios do aborto à saúde e vida da gestante, a parlamentar pediu um minuto de silêncio pela morte de Mujica, mas, no momento reservado ao tributo, foi surpreendida com coro de “Pai Nosso” por pessoas que estavam em uma das galerias para apoiar o PL em questão, que tem autoria de Rogério Amorim (PL). Mujica, inclusive, é referência da esquerda latino-americana como também da legalização do aborto no continente.
Em nota enviada em primeira mão, Maíra classificou a ação como ‘grave’, insinuando machismo. Para ela, o histórico de Pepe Mujica se fez com ética e respeito, mas incomoda por ser ‘farol’ para todos.
“Não se trata apenas de desrespeito a um rito da Casa Legislativa, mas de mais um episódio de intolerância política. Uma tentativa de silenciar uma jovem parlamentar, uma mulher de esquerda, que ousa ocupar esse espaço com firmeza e afeto”, explica.
Desde que entrou na pauta, o projeto tem provocado debates ideológicos, que ainda esbarram no campo da religiosidade. Amorim, inclusive, abriu o expediente da casa ao associar o Dia de Nossa Senhora de Fátima, celebrado ontem pela Igreja Católica, ao projeto dele que iria em votação no mesmo dia. Antes, o primeiro pleito sobre a matéria foi adiado, duas vezes, por falta de quórum, entretanto, com direito a bate-boca. A votação definitiva deve ocorrer, amanhã (15).
Neste ano, houve outros ritos de um minuto de silêncio pela morte de pessoas ligadas à política, como ao Clezão, ativista morto na prisão quando cumpria pena pelos atos do dia 8 de janeiro, pedido pelo bolsonarista Rafael Satiê (PL) no início da legislatura. Nenhum com interrupção, porém, os ânimos nas galerias já renderam denúncia na delegacia por racismo, feita por Satiê, que foi chamado de capitão-do-mato, em relação ao indivíduo que capturava escravos fugitivos, durante a votação de armamento da Guarda.





