O ano legislativo no velho Palácio Pedro Ernesto nem começou e já tem mudanças nas bancadas. A vereadora Gigi Castilho oficializou, nesta segunda-feira (9), sua filiação ao Partido Liberal (PL), após receber carta de liberação do Republicanos, legenda pela qual foi eleita em 2024. Como a saída foi autorizada pelo partido, a parlamentar não corre risco de perder o mandato por infidelidade partidária.
A filiação foi formalizada em evento com dirigentes e parlamentares do PL no Rio. Estiveram presentes o senador Bruno Bonetti, presidente municipal da sigla, além dos vereadores Rogério Amorim e Poubel, colegas de Gigi Castilho na Cinelândia.
Nas redes sociais, a vereadora comentou a mudança partidária. “Nesta segunda-feira, dei mais um passo na minha trajetória política ao oficializar minha filiação ao Partido Liberal. Sigo com responsabilidade, compromisso e dedicação para continuar trabalhando pelo povo e por uma cidade cada vez melhor”, escreveu.
A troca de partido ocorre pouco mais de um mês depois da edil ter recebido, no início de janeiro, a carta de liberação do Republicanos. A autorização formal permitiu que Gigi migrasse de legenda sem risco de questionamento judicial sobre o mandato.
Polêmica recente
A filiação ao PL ocorre em meio a um histórico recente de investigações envolvendo o nome da vereadora. Em novembro do ano passado, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Gigi Castilho, além de 15 empresas e outras 13 pessoas.
A operação, conduzida pela Delegacia de Defraudações, apurava suspeitas de crimes contra a administração pública, fraudes na execução de contratos e uso de empresas de fachada para desvio de recursos públicos.
As investigações tiveram como foco creches comunitárias fundadas por Gigi Castilho e pelo marido, Luciano Castilho, em 2019 — a Creche Comunitária Deus é Fiel e a Creche Escola Machado. As unidades mantinham convênios com a Prefeitura do Rio e, segundo a apuração policial, teriam destinado cerca de R$ 1,7 milhão, entre 2022 e 2023, a empresas ligadas a parentes e pessoas próximas à vereadora.
Além do marido, a filha do casal, Andreza dos Santos Adão, também foi alvo da operação. Parte das empresas investigadas estaria registrada em endereços sem atividade comercial, o que levantou suspeitas de uso de firmas de fachada.
Quinze dias após a ação policial, a prefeitura anunciou que não renovaria, para 2026, os convênios com as creches ligadas à família da vereadora. Desde 2019, as unidades haviam recebido mais de R$ 70 milhões em repasses municipais.
À época da operação, Gigi Castilho afirmou que não teve acesso ao inquérito policial nem às decisões judiciais que autorizaram os mandados de busca e apreensão. A vereadora declarou ainda que atuou nas creches apenas na área pedagógica, sem exercer funções administrativas ou financeiras, e disse confiar que os fatos serão esclarecidos pela defesa técnica.






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