O Carnaval segue rendendo na Câmara do Rio. Após o polêmico desfile da Acadêmicos de Niterói, que abriu os desfiles do Grupo Especial na Sapucaí com uma homenagem ao presidente Lula (PT) e ironias à direita, o vereador Fernando Armelau (PL) protocolou um projeto que propõe a criação do Dia da Família Conservadora no calendário oficial da cidade.
A proposta estabelece 18 de fevereiro como a data comemorativa — três dias após a data em que a agremiação levou para a avenida a ala “Neoconservadores em Conserva”, que mostrava integrantes fantasiados dentro de latas de conserva em referência às chamadas “famílias conservadoras”, algumas com adereços religiosos, o que gerou reação de grupos conservadores.
“Em uma sociedade verdadeiramente plural, diferentes concepções de organização familiar devem ser respeitadas, inclusive aquelas que optam pela preservação de referências culturais e morais consolidadas ao longo do tempo”, afirmou Armelau na justificativa do texto, argumentando que a criação da data representa um reconhecimento simbólico da importância da família como núcleo de formação social.
Segundo o parlamentar, nos últimos anos o modelo de família conservadora tem sido alvo de críticas em diferentes espaços, incluindo manifestações artísticas e ambientes acadêmicos.
“A liberdade de expressão artística e intelectual é valor essencial em nosso ordenamento. Contudo, a convivência democrática exige que o exercício dessa liberdade se harmonize com o respeito à dignidade das pessoas e dos grupos sociais que legitimamente se identificam com determinados valores”, continuou.
O projeto ainda vai tramitar pelas comissões temáticas antes de seguir para votação em dois turnos no plenário da Câmara.
Desfile da Acadêmicos de Niterói contou a trajetória de Lula
Com o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a Acadêmicos de Niterói contou a história do presidente Lula desde a infância no Nordeste, passando pela migração com a família para o estado de São Paulo, o trabalho como torneiro mecânico e a trajetória sindical, até a chegada à Presidência da República.
Ainda antes da escola entrar na avenida o enredo já era alvo de polêmicas e chegou a gerar ao menos dez ações judiciais e representações no Ministério Público e no Tribunal de Contas da União que tentaram impedir o desfile ou suspender e reverter repasses de recursos públicos. Partidos e parlamentares da direita, principalmente ligados à bancada evangélica, além de instituições religiosas, criticaram a apresentação, principalmente a ala dos “Neoconservadores em conserva”.
A agremiação, que ficou em último lugar e foi rebaixada após estrear no Grupo Especial do Carnaval, chegou a emitir uma nota alegando ter sofrido perseguições durante o processo de preparação por conta do enredo.






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