A Venezuela voltou a registrar um tremor de terra na manhã desta segunda-feira (29), em meio às operações de resgate desencadeadas após a sequência de fortes terremotos que atingiu o país na última semana. O novo abalo ocorreu cinco dias depois dos dois terremotos principais que devastaram diversas regiões venezuelanas e deixaram cerca de 1,5 mil mortos.
De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o tremor desta segunda-feira teve magnitude 4,6 e foi registrado às 7h no horário local (8h em Brasília). O epicentro foi localizado em Caraballeda, no litoral norte da Venezuela, a aproximadamente 30 quilômetros de Caracas.
Moradores da região relataram que o tremor foi sentido com intensidade.
“Foi muito forte”, disse Ismael Díaz, morador de La Guaira, à agência de notícias AFP.
Apesar do susto, as autoridades afirmaram que não houve registro imediato de novos danos provocados pelo abalo.
“Nenhum dano foi relatado imediatamente em decorrência do tremor secundário na Venezuela”, afirmou o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina Delcy Rodríguez.
Sequência de tremores mantém população em alerta
O novo abalo integra uma série de tremores secundários registrados desde os terremotos de maior intensidade que atingiram o país na quarta-feira passada.
Na sexta-feira (26), a Venezuela já havia registrado outro terremoto de magnitude semelhante ao desta segunda-feira. No domingo (28), dois novos tremores, de magnitudes 4,2 e 4,5, voltaram a ser registrados durante a manhã, mantendo a população em estado de alerta e aumentando o receio de novos deslizamentos e desabamentos em áreas já comprometidas.
Especialistas alertam que tremores secundários são comuns após grandes terremotos e podem agravar estruturas já danificadas.
Equipes correm contra o tempo para encontrar sobreviventes
Enquanto novos abalos continuam sendo registrados, equipes venezuelanas e missões internacionais seguem mobilizadas nas operações de busca e salvamento.
Segundo estimativa das Nações Unidas, aproximadamente 50 mil pessoas continuam desaparecidas em consequência da tragédia.
Mesmo após vários dias desde os terremotos principais, os socorristas ainda conseguem localizar sobreviventes sob os escombros, alimentando a esperança de milhares de famílias que aguardam notícias de parentes desaparecidos.
No domingo, o governo venezuelano informou que 33 pessoas foram resgatadas com vida.
Especialistas em desastres naturais destacam que as primeiras 48 a 72 horas após um terremoto representam o período mais favorável para localizar sobreviventes. Passado esse intervalo, as operações costumam concentrar esforços na recuperação de vítimas fatais. Ainda assim, os trabalhos continuam em diversas localidades atingidas.
Resgates enfrentam calor e dificuldades
As operações de busca seguem sendo realizadas em condições extremamente difíceis.
Grande parte dos resgates exige escavação manual entre montanhas de concreto e ferragens retorcidas. Além da instabilidade das estruturas, os socorristas enfrentam temperaturas elevadas, que aumentam os riscos para quem atua nas áreas afetadas.
Segundo relatos de equipes presentes nos locais dos desabamentos, o odor provocado pela decomposição de corpos torna-se cada vez mais intenso à medida que o tempo passa.
Apesar das dificuldades e da redução gradual das chances de encontrar pessoas vivas, voluntários continuam trabalhando de forma ininterrupta.
“Todos dizem que não há mais ninguém, mas continuamos aqui. Vamos ver se ainda dá para tirar mais alguém”, afirmou à agência AFP Eduardo Cardozo, trabalhador rural que viajou até Tucacas, na costa venezuelana, para atuar como voluntário nas operações de resgate.
Ajuda internacional reforça operações
A cidade de La Guaira, uma das regiões mais atingidas pelos terremotos, passou a receber um reforço significativo de equipes internacionais de busca e salvamento no domingo.
Nos primeiros dias após a tragédia, moradores manifestaram insatisfação com a resposta inicial das autoridades e relataram que boa parte dos primeiros resgates foi organizada por voluntários e civis antes da chegada de apoio mais amplo.
Diante da dimensão do desastre, a presidente interina Delcy Rodríguez determinou a continuidade das operações e anunciou medidas para atender as famílias que perderam suas casas.
Segundo o governo, mais de 770 edifícios sofreram desabamento total ou parcial. Entre as estruturas atingidas estão prédios residenciais, estabelecimentos comerciais e dezenas de hospitais.
Milhões de pessoas foram afetadas
De acordo com estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 registrados na quarta-feira afetaram até 6,8 milhões de pessoas em todo o país.
A Venezuela possui cerca de 30 milhões de habitantes, o que significa que quase um quarto da população sofreu algum tipo de impacto provocado pela tragédia.
Enquanto as buscas prosseguem e milhares de famílias aguardam informações sobre parentes desaparecidos, autoridades e especialistas mantêm o alerta para a possibilidade de novos tremores secundários, que continuam representando riscos adicionais às áreas já devastadas.






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