Em seu segundo mandato como deputado na Assembleia Legislativa do Rio, Valdecy da Saúde será a aposta do PL na disputa pela prefeitura de São João de Meriti, em 2024 – o aliado João Ferreira Neto está fora do páreo por ter sido reeleito em 2020. Seu nome foi confirmado mês passado, em Brasília, numa reunião que contou com as presenças dos senadores Flávio Bolsonaro e Romário, do governador Cláudio Castro, do presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, e de outros membros da cúpula.
Vereador de três mandatos na cidade, Valdecy disputou uma vaga para a Alerj em 2018. Eleito, dois anos depois entrou em nova disputa: agora como vice-prefeito na chapa vencida por Neto. Porém, renunciou ao cargo para permanecer no Legislativo, onde se reelegeria como deputado estadual, em 2022. Pelo histórico, avalia seu nome como algo natural para a disputa em Meriti. Mas vai além: diz que sua indicação passa por um compromisso com o próprio governador.
Habilidade para articular não lhe falta. Já cerrou fileiras no PT para aproveitar uma oportunidade política e deu uma guinada à direita pelo mesmo motivo. Está longe do perfil bélico do bolsonarimo raiz da Alerj, mas a discrição é compatível com sua força política, pois sempre está ao lado do presidente da Casa, Rodrigo Bacellar. Ainda que comedido com as palavras, nesta entrevista a Agenda do Poder o deputado não se furta a falar da importância da lealdade, de criticar o deputado Leo Vieira que, ao disputar a eleição para prefeito, em 2020, teria rompido um acordo com o grupo, e de deixar em aberto sua permanência no PL. Leia abaixo:
O senhor foi ungido pela cúpula do PL como candidato a prefeito por São João de Meriti. Como foi isso?
Pedi para que o governador Claudio Castro provocasse essa reunião para ratificar o compromisso do partido. Quando fui para o PL, em 2021, estava numa situação confortável, mas aceitei o desafio a partir do convite dele, e sempre defendi os interesses do governo de forma ferrenha. Na época, fiz apenas uma exigência para sair do PTC. Pedi ao governador que quem estivesse na máquina do governo não poderia sair candidato em São João de Meriti. Ele indagou: ‘É isso que você precisa?’. Eu disse: ‘É isso que o sistema precisa fazer’. Ele respondeu: ‘Então está resolvido’.
E a partir daí?
Deu tudo certo. Pelo PL, fui o deputado mais votado da história de São João de Meriti, com mais de 70 mil votos. Meu histórico na política também é ilibado. Sou servidor da Secretaria de Saúde da cidade com 32 anos de dedicação. O engraçado é que quando me candidatei pela primeira vez, em 2008, ninguém acreditava em mim. Era motivo de deboche. Os mais otimistas diziam que eu teria, no máximo, mil votos. Conversei com alguns partidos, até que o PT me convidou.
Como assim? O senhor foi do PT, deputado? (Risos)
Pois é. Como entendo de formatação de nominata e coeficiente eleitoral, na época fiz alguns cálculos e percebi que pelo PT teria chances de entrar, pois não havia vereador com mandato na cidade. Conclusão: fui eleito com quase quatro mil votos. Depois saí porque o partido não entendia meu jeito de fazer política. Em 2012, disputei pelo PDT e, em 2016, pelo PHS, sendo o vereador mais votado, com seis mil votos.
Pelo visto o caminho da candidatura então está pavimentado. Ou ainda falta alguma coisa?
Aos olhos da cúpula do PL, não existe motivo algum para que eu não seja o candidato. Fui eleito deputado pelo PL; ganhamos na cidade com Romário, com mais de 70 mil votos; com o governador, como mais de 177 mil; com o Bolsonaro, com mais de 160 mil votos. Ganhamos tudo. Então está tudo bem encaminhado. E vai tirar o Valdecy também para colocar quem?
Como estão as negociações para as alianças?
Estão sendo costuradas. O governador e o próprio prefeito estão incumbidos disso. Estou mais na parte operacional do trabalho de rua, cuidando das comunidades, levando os recursos do estado para a cidade.
Mas estar próximo da máquina municipal lhe dá vantagens sobre os demais, não?
Creio que sim. Isso deixa você entender e mensurar o futuro de uma possível gestão. Ajuda a evitar cometer erros que toda máquina comete, logicamente, e a seguir com os acertos.
Faria um governo de continuidade, caso eleito, né?
O Doutor João (como o prefeito é chamado) está bem avaliado. Geralmente no segundo mandato há uma queda natural, mas não é o caso. Hoje ele tem 67% de ótimo e bom. É o meu melhor cabo eleitoral, pois, em tese, transferiria 35% dos votos. E na verdade, também, é que Meriti tem uma particularidade: o povo não gosta de políticos traidores. Isso foi demonstrado nas urnas na última eleição.
Isso é um recado para alguém?
É, sim. É para aqueles que estiveram na máquina da prefeitura, na época com mandato de vereador, que foram ajudados pelo prefeito o tempo todo, com o compromisso de que, se eleitos em 2018 deputados, ajudassem na reeleição do Doutor João, em 2020, mas não o fizeram.
O senhor está falando do deputado Léo Vieira?
Principalmente. Ele teve todo apoio da máquina, toda ajuda possível, com o compromisso de ajudar na reeleição, mas roeu a corda.
Mas qual teria sido o motivo?
A ganância pelo poder. Hoje ele é um adversário político. Só que as pessoas não toleram mais a divisão de poder, de estrutura, a desunião, a discórdia, o revanchismo, a guerra, o conflito. Não é disso que a população do estado, do Brasil, precisa. Ela precisa de entendimento. Quem é sábio, percebeu isso e foi para o fim da fila. Porque a política é feita de fila. É preciso aguardar a sua vez. Você compõe e aguarda o momento. Alguns já entenderam isso e estão avaliando a possibilidade de somar nesse nosso projeto. Com a união de forças, a população ganha lá na ponta.
O senhor é um fiel aliado do presidente da Alerj, o Rodrigo Bacellar. E muito se fala da saída dele do PL. Vai permanecer no partido caso a ida dele para o União Brasil se confirme?
Eu vou te falar uma coisa, não há parceria mais fiel do que eu e o Doutor João e o Rodrigo Bacellar e o governador Cláudio Castro. É uma parceria que está dando certo. Vou deixar essa conversa para o governador e o Bacellar decidirem. A princípio, eu não tenho nenhum interesse em sair do PL, mas como a política é muito dinâmica… Vamos aguardar.
Mas até pouco tempo atrás até mesmo o governador estava cogitando sair do partido, deputado.
Mas hoje não vejo movimento que interesse ao governador sair do PL. Existiu sim um início de litígio, mas esse problema foi sanado. O Rodrigo é que está estudando a possibilidade de se manter ou não.





