Unidades do Degase sofrem com denúncias de assédio moral e falta de recursos para infraestrutura

Situação do departamento socioeducativo foi tema de audiência pública na Alerj


Com recurso reduzido para qualificações de profissionais, as unidades do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase) vêm enfrentando problemas com assédio moral, falta de higiene e precariedade nas instalações.

A situação do departamento foi debatida em audiência conjunta da Comissão de Combate às Discriminações, da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), e da Comissão de Combate ao Racismo da Câmara de Vereadores da cidade do Rio, na sede da Alerj, na segunda-feira (02/12).

Segundo André Tenreiro, presidente da Afetos (Associação Fluminense de Estatutários que Trabalham como Operadores da Socioeducação), o Degase passa por uma redução de investimentos na formação dos profissionais e também de jovens apreendidos.

“O orçamento destinado ao ensino profissionalizante foi de R$ 2 milhões, em 2024, com previsão de redução para R$ 1 milhão, em 2025. Por que o Estado está investindo menos em qualificação?”, questionou.

O defensor público Rodrigo Azambuja, da Coordenadoria de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, revelou ainda que a evasão escolar é outro grande problema a ser enfrentado pelo órgão da secretaria estadual de Educação

“Mais de 70% dos adolescentes em medida socioeducativa já estavam evadidos da escola. Sem continuidade no percurso escolar, o risco de reincidência é maior. As escolas precisam funcionar ininterruptamente, até porque os meninos vão ingressando nesses espaços ao longo do ano e a carga horária precisa ser garantida”, sugeriu.

Para o presidente da Comissão da Alerj, deputado Professor Josemar (Psol), há uma necessidade urgente de melhorias estruturais, educacionais e orçamentárias no Degase, além de definir melhor o perfil do departamento.  

“Há um debate fundamental em torno do perfil do Degase, se é pautado em medidas socioeducativas ou se restringe seu papel à segurança”, comentou. “Infelizmente o orçamento estadual não reflete o compromisso necessário com essa política, inviabilizando a efetividade das ações”, completou.

Presidente da Comissão de Combate ao Racismo da Câmara, a vereadora Mônica Cunha (PSol) reforçou a importância da integração entre estado e município, incentivando a implementação do Plano Municipal Socioeducativo do Rio de Janeiro.

“A interlocução entre Estado e o município do Rio é essencial para a reintegração social porque as medidas de meio aberto, por exemplo, acontecem no município. Muitas famílias também precisam de apoio psicológico e econômico, e o racismo estrutural não pode ser ignorado como um fator que perpetua essas realidades”, destacou.

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