Único vereador do Novo no Rio, Pedro Duarte deixa o partido: ‘Radicalização ideológica oposta à minha forma de política’

Parlamentar publicou vídeo nesta segunda (8) criticando os rumos da legenda. Saída foi negociada com carta de liberação: o edil mantém o mandato, mas fica sem partido por enquanto

O partido Novo perdeu seu único representante na Câmara do Rio. O vereador Pedro Duarte usou as redes sociais nesta segunda-feira (8) para anunciar sua desfiliação da legenda após sete anos, citando divergências com a direção partidária e o que classificou como uma “radicalização ideológica” da sigla.

Apesar da saída, o edil ainda vai continuar com a cadeira no velho Palácio Pedro Ernesto. A decisão ocorre em comum acordo com a legenda, que emitiu carta de liberação, permitindo que o parlamentar mantenha o cargo.

Em segundo mandato na Casa pelo partido, Duarte afirmou que a saída foi motivada por diferentes fatores, incluindo um processo de radicalização da sigla que contraria a forma como conduz sua atuação política. Segundo ele, o ambiente interno resultou em patrulhamento ideológico recorrente sobre suas posições na Casa e até em ataques públicos em redes sociais e grupos de WhatsApp.

“Depois de sete anos filiado ao Novo e duas eleições como único vereador eleito no Rio, estou de saída. A radicalização ideológica que o partido vem trilhando não só caminha na direção oposta da minha forma de fazer política, como resultou em um patrulhamento de posicionamentos como os meus”, afirmou. “Sempre critiquei os discursos hegemônicos tão típicos da esquerda, e tenho minha independência de fala e voto como prioridade”, continuou no vídeo.

Críticas ao rumo do partido e à falta de autonomia

Na publicação, Duarte também criticou e disse ter se surpreendido com a falta de espaço e autonomia para organizar uma nominata competitiva para 2026, ano em que se apresenta como pré-candidato a deputado estadual. Segundo o vereador, o critério interno teria deixado de ser a viabilidade eleitoral e passado a depender do alinhamento ao que chamou de “nova visão” da sigla.

“Chegamos ao ponto de ataques públicos violentos e recorrentes contra mim. Também me causou enorme surpresa que, como único vereador eleito no Rio e pré-candidato a deputado estadual, não me fosse dado o mínimo de autonomia para montar uma nominata minimamente competitiva”, declarou.

O parlamentar afirmou que vinha pensando na decisão há algum tempo, e diz que deixa o partido mantendo sua independência de voto e discurso. No vídeo, ele pontua que seguirá concentrado no mandato na Câmara dos Vereadores enquanto deixa para decidir a próxima legenda apenas no ano que vem — aproveitando o descanso do recesso que já está batendo à porta. 

“Saio do partido com a mesma dignidade que entrei. Vou definir meu rumo partidário apenas ano que vem. Desejo sorte aos muitos amigos que fiz no partido e que sejam capazes de resgatar os propósitos e valores daquele partido que nasceu propondo uma nova forma de fazer política”, concluiu.

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