União Europeia prorroga suspensão de retaliação e tenta evitar tarifaço de Trump

Medida foi confirmada neste domingo (13) pela presidente da Comissão Europeia. Durante a semana, o presidente dos Estados Unidos havia anunciado tarifa de 30% sobre as importações da UE a partir do mês que vem

A União Europeia decidiu estender até o início de agosto a suspensão de medidas retaliatórias contra os Estados Unidos pelas ameaças de tarifaço do presidente estadunidense, Donald Trump, de 30% sobre as importações do bloco já a partir do mês que vem. A medida foi confirmada neste domingo (13) pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que afirmou que a UE segue aberta a uma solução negociada para evitar o aumento das barreiras comerciais, mas mantém contramedidas prontas caso o entendimento fracasse.

A ofensiva de Trump surpreendeu Bruxelas. O republicano enviou uma carta oficial à liderança europeia neste fim de semana, condicionando a suspensão do tarifaço à abertura de mercados estratégicos aos produtos estadunidenses. Além das tarifas gerais, há previsão de sobretaxas específicas para produtos reexportados — o que pode afetar cadeias globais de abastecimento, especialmente nos setores de medicamentos, aeronaves e equipamentos médicos.

As tensões entre União Europeia e os Estados Unidos em torno de tarifas não são novas, mas se intensificaram nas últimas semanas. Em abril, o bloco já havia congelado um pacote de retaliações contra as tarifas americanas sobre aço e alumínio. A nova ameaça inclui um segundo pacote em análise, que pode atingir até 72 bilhões de euros em produtos dos EUA, mas que ainda depende do aval dos estados-membros.

Governos de países como Itália e Holanda se manifestaram em apoio à estratégia da Comissão Europeia, reforçando que o momento é de manter o foco na negociação para evitar impacto econômico maior em setores estratégicos para ambos os lados do Atlântico. 

A avaliação dentro da UE é de que o governo Trump quer pressionar parceiros para reduzir déficits comerciais históricos, principalmente em bens industriais, mesmo que os EUA ainda mantenham superávit em serviços com o bloco europeu.

Até agosto, as duas partes mantêm canais abertos para tentar um acerto que evite mais um capítulo da disputa comercial entre aliados históricos — mas a Comissão Europeia já sinaliza que poderá endurecer o jogo caso as negociações não avancem.

Além da União Europeia, outros 23 países receberam notificações similares do governo americano. Entre eles, o Brasil aparece como o mais visado, com ameaças de taxação de 50% sobre produtos nacionais já em 1º de agosto caso o país não se submeta aos anseios do presidente estadunidense.

A tarifa é usada como uma forma de retaliação por Donald Trump contra uma suposta perseguição sofrida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Nas redes sociais, o ex-presidente chegou a fazer uma publicação neste domingo atribuindo a saída da crise à anistia aos réus do 8 de janeiro. No post, Bolsonaro também defendeu que a medida do estadunidense teria mais a ver com “valores e liberdade do que com economia”.

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