Rodrigo Vilela
A Executiva Nacional do União Brasil, partido de Rodrigo Bacellar, apoia a posição do governador Cláudio Castro de indicar um nome de sua confiança para um mandato-tampão no governo a partir de abril, quando deve deixar o Palácio Guanabara para se candidatar ao Senado. A aliados, o presidente da legenda, Antônio de Rueda, não se opõe diretamente ao nome do secretário Nicola Miccione, favorito de Castro para a missão. Contudo, Rueda teria feito uma ressalva aos correligionários: em tese, ele acha que o ocupante do mandato-tampão também deveria ser o escolhido para concorrer nas urnas.
Segundo o pensamento externado por Rueda, um nome na política na cadeira poderia reunir forças para enfrentar Eduardo Paes. No hipótese de Miccione, que declaradamente não será candidato à reeleição em outubro, a situação passaria a ser cômoda para Eduardo Paes, de acordo com ele. O União pleiteia, ainda, o direito de debater o nome a ser escolhido para esta missão.
Bolsonaro ainda não deu seu aval
Como já dito aqui na coluna, a estratégia encontra vários níveis de resistência e até mesmo incipientes tentativas de rebeldia. O filho mais velho de Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro, não se opõe ao nome de Nicola Miccione para o governo do Rio. Mas, o patriarca da família Bolsonaro ainda não deu seu veredicto sobre a possibilidade. E, como se sabe, nada ocorre no PL sem o aval de Jair Bolsonaro, que será o principal fiador e cabo eleitoral do futuro candidato. Qualquer decisão será tomada após o carnaval.
Em paralelo, o governador Cláudio Castro decidiu jogar duro para consolidar a candidatura de Nicola Miccione ao mandato-tampão. Uma tentativa de rebelião na base aliada foi rapidamente sufocada e expôs a disposição do chefe do Executivo de não tolerar dissidências.
Em ao menos duas conversas reservadas, Castro riscou o chão. Num telefonema com um pretenso candidato, que resolveu procurá-lo para comunicar a decisão de também disputar, foi direto ao ponto. Após relembrar o apoio dado ao político nos últimos anos, advertiu: “Faça o que a sua consciência mandar mas saiba que se continuar nesta posição estará rompido comigo “. A mensagem deixou claro que o projeto de sua sucessão tem comando e que o governador é o fiador absoluto da candidatura de Nicola.
Reis tenta se credenciar como candidato
O movimento dissidente perdeu fôlego diante do endurecimento do discurso. Castro deixou explícito que os descontentes que insistirem no racha serão tratados como adversários, com a consequente perda de todos os espaços na gestão estadual.
Mas, ainda há outro pano de fundo por trás disso tudo: Washington Reis tenta se credenciar para disputar o governo do Rio até os 45 do segundo tempo. Caso não consiga, o PL buscará outro nome para representar o bolsonarismo contra Eduardo Paes na disputa pelo governo. Neste caso, a chapa dos sonhos seria Douglas Ruas para o governo e Márcio Canella, vice. Toda e qualquer escolha, contudo, deve partir da Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde Bolsonaro deve seguir, a menos que a sua prisão seja convertida em domiciliar.
A ideia de manter Castro até o Carnaval, é claro, visa deixar o governador na vitrine gerada pela festa mais popular do país.






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