Um dos foragidos caçados pela polícia após espancamento brutal na Lagoa é filho de chefão do narcotráfico colombiano

Jacobo Pareja Rodriguez, acusado de tentativa de homicídio, teria fugido para o Paraguai após ataque que deixou estudante desacordado com 22 chutes na cabeça

O Disque Denúncia divulgou neste domingo (9) um cartaz com pedido de informações sobre o paradeiro de dois homens acusados de participação em uma tentativa de homicídio brutal ocorrida na Zona Sul do Rio de Janeiro. Entre os procurados está Jacobo Pareja Rodriguez, de 26 anos, que segundo a Polícia Civil desferiu diversos chutes na cabeça da vítima, um estudante de Direito. O outro foragido é Felipe de Souza Monteiro, de 24 anos, que já tem passagens por tráfico e posse de arma. Ambos são considerados foragidos da Justiça. As informações são do jornal Extra.

As investigações da 15ª DP (Gávea) indicam que Jacobo teria deixado o país rumo ao Paraguai logo após o crime, ocorrido na madrugada de 23 de maio deste ano, em frente a um bar no Parque dos Patins, na Lagoa Rodrigo de Freitas. Um mandado de prisão foi expedido pela 4ª Vara Criminal da Capital por tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe e meio cruel.

Quem é Jacobo Pareja Rodriguez

Jacobo é filho de Alexander Pareja Garcia, um dos nomes mais temidos do narcotráfico colombiano nas últimas décadas. Conhecido como “Alex”, Pareja Garcia liderou o extinto Cartel do Vale do Norte e foi apontado pela Polícia Federal como herdeiro da estrutura de Pablo Escobar. Embora nascido na Colômbia, Jacobo vivia há anos no Brasil, frequentando os mesmos ambientes da elite carioca que os outros acusados do espancamento.

Alexander Pareja foi preso em 2005 durante uma megaoperação internacional contra o tráfico e a lavagem de dinheiro, conduzida pela Polícia Federal com apoio de autoridades da Colômbia, Uruguai e Estados Unidos. No mesmo ano, sua esposa, Yasmin Lorena Rodriguez Gallego, e sua irmã, Lissy Jurliette Pareja Garcia, também foram presas. Em 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) ordenou a libertação dos três.

Mesmo encarcerado, Pareja teria continuado a comandar as operações do cartel com o auxílio de familiares, como sua esposa Yasmin, detida em Brasília durante uma visita ao marido. Outro aliado próximo, Henry Rodriguez, cunhado de Pareja e operador financeiro do esquema, foi assassinado no Panamá em 2013.

Em 2007, a Polícia Federal deflagrou a Operação Platina, que resultou em 11 prisões em cinco estados e na apreensão de cerca de R$ 20 milhões em bens, como imóveis, carros importados, postos de gasolina e empresas de fachada no Rio de Janeiro. Na ocasião, 92 contas bancárias atribuídas a Pareja foram bloqueadas.

Segundo os investigadores, o cartel operava uma logística semanal que movimentava entre 500 quilos e uma tonelada de cocaína, com destino à Europa e aos Estados Unidos. A droga era escondida em contêineres com peixes congelados, e a lavagem do dinheiro era feita por meio de construtoras, areais e imóveis de luxo em bairros como Barra da Tijuca e Angra dos Reis.

Pareja voltou a ser preso em 2013 em uma mansão na Barra da Tijuca. Na ocasião, foram apreendidos bens avaliados em R$ 10 milhões.

O crime na Lagoa

A violência ocorreu após um desentendimento dentro de uma casa noturna e culminou em um espancamento coletivo do lado de fora. A vítima, um jovem estudante de Direito, foi cercada por ao menos nove agressores e atacada com socos e chutes, especialmente na cabeça. Laudos apontam que ele recebeu 22 chutes na região e ficou desacordado.

Entre os presos já identificados estão Pedro Vasconcellos do Amaral Sodré de Mello, o “Rebordão”, de 26 anos, com histórico de crimes como tráfico de drogas, clonagem de cartões e roubo; sua namorada, Luma Melo Rajão, estudante de Direito de 20 anos, que se apresenta com o apelido de “Maria Manicômio”; o modelo Bruno Fernandes Moreira Krupp, de 29 anos, conhecido por ter atropelado e matado, em 2022, o adolescente João Gabriel Cardim Guimarães, de 16 anos, enquanto pilotava uma moto sem habilitação a 150 km/h; e Artur Velloso Araújo, de 18 anos, preso em São Paulo após ser identificado em vídeos desferindo chutes e socos na vítima caída.

Segundo a delegada Daniela Terra, da 15ª DP, o perfil dos agressores é similar:

— Todos são de classe social alta.

Ainda de acordo com a investigação, Bruno Krupp incentivava a violência durante o espancamento, gritando para que o grupo continuasse os ataques.

Mandados em aberto e alerta internacional

Com os mandados expedidos, a Polícia Civil trabalha com a hipótese de que Jacobo Pareja Rodriguez esteja fora do país, com auxílio de uma rede de apoio ligada ao tráfico internacional. Felipe de Souza Monteiro também segue foragido. O caso mobiliza diferentes esferas da segurança pública, e as autoridades não descartam o uso de mecanismos internacionais para localizar os suspeitos.

O Disque Denúncia pede que informações que possam levar à prisão dos acusados sejam repassadas anonimamente. A polícia segue em busca de outros envolvidos que aparecem nos registros das câmeras de segurança e em vídeos feitos por testemunhas. As imagens do ataque geraram comoção pública e ampliaram a pressão por respostas das autoridades.

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