Uma briga violenta ocorrida no estacionamento do Parque dos Patins, na Lagoa Rodrigo de Freitas, Zona Sul do Rio, no dia 23 de maio, resultou na denúncia de seis pessoas por tentativa de homicídio qualificado. A acusação, apresentada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), inclui os agravantes de motivo torpe e uso de meio cruel. Todos os envolvidos são de classe média alta.
O episódio, registrado na madrugada, teve início dentro de uma boate próxima ao local, após uma discussão provocada por uma frase arrogante. A confusão se intensificou e culminou com um jovem sendo brutalmente espancado no chão do estacionamento, recebendo 22 chutes na cabeça até perder a consciência. Cenas do ataque foram registradas por câmeras e viralizaram nas redes sociais.
Prisão decretada e buscas pelos foragidos
A Justiça decretou a prisão preventiva dos seis envolvidos. Até o momento, quatro suspeitos foram presos pela Polícia Civil, enquanto dois seguem foragidos.
Um dos presos é Pedro Sodré, conhecido como Rebordão, apontado como autor dos 22 chutes na cabeça da vítima. Segundo as investigações da 15ª DP (Gávea), ele teria iniciado a discussão ainda dentro da boate, ao dizer à vítima: “Você não tem nem dinheiro pra passar aqui do meu lado. Eu paguei R$ 17 mil nisso daqui.”
Em depoimento, a vítima, Pedro Rodrigues, relatou ter reagido com uma piada, dizendo: “Dinheiro seu ou da sua mãe?” Logo depois, se afastou, mas foi perseguido e agredido pelo grupo no estacionamento.
A Polícia Civil afirma que Pedro Sodré tem nove anotações criminais, incluindo crimes como roubo, tráfico de drogas, violência doméstica e participação em organização criminosa. Ele também é investigado por tráfico de drogas sintéticas, clonagem de cartões e de veículos.
Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), a estudante de Direito Luma Ferreira teve participação ativa na agressão. De acordo com os promotores, após uma troca de provocações dentro de uma boate, Luma teria encarado a vítima com “expressão de ódio”.
No estacionamento, segundo o MP, ela teve um papel decisivo ao incitar os agressores com gritos como: “Ali o gorducho! Pega ele! Você não vai fazer nada, não? Mata o gorducho!”
A denúncia classifica a atuação da jovem como um incentivo direto à violência, contribuindo para a tentativa de homicídio qualificado cometida por integrantes do grupo.
Após o episódio, Luma chegou a ironizar a situação em suas redes sociais. Em um vídeo publicado pouco depois da agressão, ela se autodenomina “Maria Manicômio” e se refere ao namorado, também envolvido no ataque, como “dono do hospício”, em tom de deboche.
Perfis dos acusados e contexto social
A delegada responsável pelo caso, Daniela Terra, destacou que os envolvidos são oriundos de famílias de classe alta: “Todos são de famílias abastadas, com acesso a educação e oportunidades que muitos não têm. Ainda assim, optaram pelo crime.”
Entre os denunciados está Artur Velloso Araújo, de 18 anos, flagrado nas imagens desferindo chutes e socos na vítima já caída. Ele tentou fugir, mas foi localizado e preso nesta sexta-feira em São Paulo.
Outro identificado é Felipe de Souza Monteiro, que possui antecedentes por tráfico de drogas, posse ilegal de arma e receptação. Ele também aparece nas imagens agredindo a vítima e está foragido. A polícia suspeita que ele tenha fugido para o Rio Grande do Sul.
O segundo foragido é Jacobo Pareja Rodriguez, de 26 anos, apontado como um dos agressores. Segundo a polícia, ele é filho de um traficante colombiano e teria fugido para o Paraguai após o crime.
Investigações em andamento
A Polícia Civil segue com as diligências para capturar os dois foragidos e concluir o inquérito. O caso, que provocou forte repercussão pública, levanta debates sobre violência, impunidade e o papel social de jovens de classes privilegiadas envolvidos em crimes graves.
Os denunciados são:
Artur Velloso Araújo – o agressor, de 18 anos, aparece agredindo a vítima com chutes e socos.
Bruno Krupp – o modelo incitou as agressões e responde por homicídio culposo após atropelar e matar um adolescente em 2022.
Felipe de Souza Monteiro – após o crime, ele teria fugido para o Rio Grande do Sul e está foragido. Segundo o MP, tem passagens por tráfico e posse ilegal de arma de fogo.
Jacobo Pareja Rodriguez – filho de um traficante, Jacobo teria fugido para o Paraguai.
Luma Rajão – ela aparece incitando as agressões e fez um vídeo zombando do incidente na web. Estuda Direito.
Pedro Vasconcellos, conhecido como Rebordão: Rebordão tem nove passagens pela polícia e é investigado por tráfico de drogas sintéticas, clonagem de cartões e roubo. Aparece no vídeo dando pisões no rosto da vítima, por 22 vezes.





