A União Europeia deu mais um passo para reduzir os impactos ambientais da indústria da moda ao proibir que grandes empresas destruam roupas, calçados e acessórios novos que não foram vendidos. Segundo reportagem do portal g1, a nova regra integra a estratégia do bloco para fortalecer a economia circular e reduzir o desperdício de produtos em perfeito estado de conservação.
A medida foi criada para combater uma prática comum entre grandes varejistas: a destruição de estoques excedentes ou de mercadorias devolvidas pelos consumidores. Em vez de serem descartados, esses produtos deverão seguir alternativas como doação, reutilização, recondicionamento, reciclagem ou recolocação no mercado.
Segundo a Comissão Europeia, a iniciativa pretende “apoiar a transição para uma economia europeia mais circular e competitiva”.
Milhões de peças são descartadas todos os anos
O setor da moda é apontado como um dos que mais geram resíduos e emissões de gases de efeito estufa. Além do elevado consumo de água e matérias-primas, o descarte de roupas novas tornou-se uma preocupação crescente entre autoridades ambientais.
Na União Europeia, cerca de 20% das peças vendidas acabam sendo devolvidas pelos consumidores. Desse volume, aproximadamente um terço é destruído pelas empresas, mesmo estando em boas condições de uso.
As devoluções decorrem de diferentes fatores, como compras feitas pela internet, troca de tamanho ou desistência da aquisição. Em muitos casos, o custo para conferir, reorganizar e recolocar essas peças à venda era considerado maior do que simplesmente descartá-las.
A nova regulamentação pretende mudar essa lógica.
Empresas terão de priorizar reaproveitamento
Com a proibição, as grandes companhias deverão buscar alternativas sustentáveis para o destino dos produtos que permanecerem em estoque.
Entre as possibilidades estão a doação para instituições beneficentes, a revenda em canais específicos, o recondicionamento das peças para comercialização posterior, a reciclagem dos materiais e outras formas de reaproveitamento.
A expectativa é reduzir significativamente o volume de resíduos gerados pela indústria têxtil e prolongar o ciclo de vida dos produtos.
Além do benefício ambiental, a medida também pretende estimular novos modelos de negócio voltados ao mercado de segunda mão, ao reaproveitamento de tecidos e ao fortalecimento da economia circular.
Pressão por mais sustentabilidade
A decisão faz parte de um conjunto de políticas adotadas pela União Europeia para reduzir o impacto ambiental da cadeia produtiva da moda, considerada uma das atividades industriais mais poluentes do mundo.
Nos últimos anos, o crescimento acelerado do chamado “fast fashion” elevou a produção de roupas de baixo custo e de curta vida útil, ampliando o consumo e o descarte de peças em ritmo cada vez mais intenso.
Ao impedir que produtos novos sejam destruídos, o bloco europeu busca incentivar empresas a reverem seus modelos de produção e logística, reduzindo perdas e tornando o setor mais eficiente sob a ótica ambiental.
A expectativa é que a medida também estimule investimentos em processos de triagem, recuperação de produtos e reciclagem têxtil, criando novas oportunidades para um mercado voltado ao reaproveitamento de materiais.
Especialistas avaliam que a iniciativa poderá servir de referência para outros países interessados em reduzir o desperdício e tornar a indústria da moda mais sustentável, conciliando desenvolvimento econômico com preservação ambiental.






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