Uberaba, apelidada de Cidade dos Dinossauros, receberá hoje reconhecimento da Unesco como quinto geoparque mundial

Riqueza geológica da região é evidenciada pelos mais de 2.500 fósseis catalogados e os 31 geossítios encontrados no local

Nesta quarta-feira (26), em Uberaba (MG), será oficializado o reconhecimento do município como o quinto geoparque mundial pelo programa da Unesco, um marco histórico não apenas para a cidade, mas significativo para o Brasil. Esta distinção é um testemunho da riqueza geológica da região, evidenciada pelos mais de 2500 fósseis catalogados e os 31 geossítios encontrados no local, que lhe renderam o apelido de “cidade dos dinossauros”.

Destaca-se, por exemplo, o primeiro ovo fóssil descrito no Brasil, datado de 1946, e a descoberta do Uberabatitan riberoi, o maior organismo já registrado no país desde a formação da Terra, com dimensões impressionantes de até 28 metros de comprimento e 14 metros de altura.

A cerimônia de oficialização pela Unesco está agendada para as 12h e será transmitida em um telão no centro da cidade. Para celebrar esse momento histórico, uma programação gratuita está prevista a partir das 11h, com shows musicais e até mesmo uma carreata.

Com esta designação, Uberaba se junta a uma lista seleta de 195 geoparques mundiais, distribuídos em 48 países. No Brasil, ela se torna o sexto geoparque reconhecido, ao lado de outros como o Geoparque Araripe, o Geoparque Seridó e o Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul.

A paleontologia desempenha um papel central nas atividades do município, destacando-se o Complexo Cultural e Científico de Peirópolis, lar do Museu dos Dinossauros e do Centro de Pesquisas Paleontológicas Llewellyn Ivor Price.

Este complexo é uma referência global no estudo das espécies do período Cretáceo Superior e abriga grande parte dos fósseis de dinossauros descritos no Brasil. Uberaba é reconhecida como o local onde a pesquisa paleontológica no Brasil teve início, culminando em descobertas significativas como a do Uberabatitan riberoi, que rendeu homenagem ao paleontólogo Luiz Ribeiro, responsável pela candidatura à Unesco.

Ribeiro destaca que cerca de 90% das rochas de Uberaba são fossilíferas, o que requer uma legislação de proteção e monitoramento cada vez mais rigorosa.

Atualmente, qualquer projeto de construção que envolva perfuração de rochas deve contar com a supervisão de uma equipe de paleontólogos. Além disso, estão sendo estabelecidas “zonas geológicas” na cidade, cada uma com suas próprias regras de construção, visando a preservar este rico patrimônio.

O reconhecimento da Unesco não se limita apenas ao aspecto geológico de Uberaba, mas também considera outros dois pilares importantes: a espiritualidade, representada pelo legado do médium Chico Xavier, e a pecuária sustentável, devido à criação de gado zebu, que tem grande relevância econômica para a região.

A prefeita Elisa Araújo (PSD) destaca o potencial deste título para atrair investimentos internacionais e impulsionar o desenvolvimento econômico da cidade, além de fortalecer o sentimento de orgulho e pertencimento entre os habitantes de Uberaba.

O título de Uberaba contou com o trabalho principalmente de quatro instituições, signatárias da candidatura: Prefeitura Municipal de Uberaba (PMU); Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM); Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Com informações de O Globo.

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