Trump volta a falar em fraude eleitoral em 2020 e acusa China de interferência

Presidente dos Estados Unidos afirma que divulgará documentos sobre suposta interferência chinesa nas eleições de 2020, mas não apresentou provas durante o discurso

A menos de quatro meses das eleições legislativas de novembro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a questionar o sistema eleitoral americano e repetiu acusações de fraude relacionadas à eleição presidencial de 2020. Durante um discurso em tom de campanha, nesta quinta-feira (16), o republicano afirmou que divulgará documentos sigilosos que, segundo ele, comprovariam a vulnerabilidade do sistema eleitoral e uma suposta interferência da China no processo.

As declarações, porém, foram feitas sem a apresentação de provas públicas. Trump também voltou a defender mudanças nas regras eleitorais e pressionou o Congresso a aprovar seu pacote de reforma antes das eleições de meio de mandato.

Acusações sem provas

No discurso, Trump afirmou que informações de eleitores americanos teriam ficado expostas a agentes estrangeiros, especialmente chineses. Segundo ele, os documentos que pretende divulgar conteriam dados como nomes, endereços, telefones e preferências partidárias dos eleitores.

O presidente também acusou Pequim de financiar reportagens negativas contra sua candidatura e afirmou que o governo chinês desejava sua derrota na eleição presidencial de 2020. No entanto, não explicou de que forma essas informações teriam sido utilizadas nem apresentou evidências para sustentar as acusações.

Investigações anteriores contestam narrativa

As alegações de Trump contrastam com conclusões já divulgadas pela comunidade de inteligência dos Estados Unidos.

Segundo investigações realizadas após as eleições de 2020, Rússia e Irã promoveram campanhas de influência voltadas a favorecer Trump, mas sem adulterar resultados eleitorais. No caso da China, os órgãos de inteligência concluíram que o país possuía capacidade técnica para interferir no processo eleitoral, mas optou por não fazê-lo. Pequim sempre classificou essas acusações como “absurdas e ridículas”.

Trump também voltou a afirmar, sem apresentar provas, que centenas de milhares de pessoas sem cidadania americana teriam conseguido se registrar para votar em 2020 e acusou o FBI de encobrir suspeitas de fraude eleitoral no estado de Michigan. Essas alegações já haviam sido feitas anteriormente e nunca foram comprovadas.

Reforma eleitoral volta ao centro do discurso

Além das críticas ao sistema eleitoral, Trump aproveitou o pronunciamento para pressionar parlamentares a aprovarem seu projeto de reforma das eleições.

Entre as propostas defendidas pelo presidente estão a exigência de comprovação de cidadania para votar, restrições ao voto pelo correio, ampliação de auditorias eleitorais e maior uso de cédulas de papel.

Especialistas e integrantes do próprio Partido Republicano avaliam que há poucas chances de o pacote ser aprovado antes das eleições de novembro.

Aliados demonstram preocupação

A retomada do discurso sobre fraude eleitoral ocorre em um momento delicado para Trump.

Pesquisas indicam possibilidade de avanço do Partido Democrata nas eleições legislativas, cenário que pode retirar dos republicanos o controle da Câmara dos Representantes ou do Senado.

Nos bastidores, integrantes do Partido Republicano demonstraram preocupação com a estratégia de voltar a concentrar a campanha em alegações sobre as eleições de 2020 em vez de priorizar temas como inflação e custo de vida, considerados mais relevantes para os eleitores.

O líder da maioria republicana no Senado, John Thune, afirmou estar focado nas eleições de 2026, enquanto o senador John Kennedy declarou que o custo de vida continua sendo a principal preocupação dos americanos.

Um integrante de uma campanha republicana ao Senado afirmou, sob anonimato, que insistir em disputas do passado pode comprometer a coalizão do partido.

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