O presidente dos Estados Unidos Donald Trump assinou um decreto que pode mudar de forma radical o futuro do TikTok no país. O documento, divulgado nesta quinta-feira (25), estabelece regras para a venda da rede social chinesa, considerada por Washington um risco à segurança nacional, e fixa o prazo de 16 de dezembro para a conclusão do processo. A medida ocorre em meio a tensões diplomáticas com a China e ao debate sobre proteção de dados de milhões de usuários americanos.
Segundo o decreto, o TikTok precisará operar nos EUA por meio de uma nova empresa americana, avaliada em cerca de US$ 14 bilhões e com sede em território norte-americano. Essa companhia terá controle exclusivo sobre algoritmos, código-fonte e políticas de moderação de conteúdo, garantindo que informações confidenciais de usuários fiquem armazenadas em servidores administrados por empresas locais. Além disso, o texto prevê que menos de 20% da participação acionária poderá permanecer sob controle estrangeiro, limitando a influência da ByteDance, empresa chinesa dona do aplicativo.
Trump afirmou ter conversado diretamente com o presidente da China, Xi Jinping, e que recebeu dele uma espécie de “sinal verde” para o acordo. “Tivemos uma boa conversa, contei a ele o que estávamos fazendo, e ele disse para prosseguirmos”, declarou o republicano. Apesar disso, nem a embaixada chinesa em Washington nem a própria ByteDance se manifestaram oficialmente sobre o tema até o momento.
O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, reforçou que o objetivo principal é proteger a privacidade dos cidadãos americanos. “Queríamos manter o TikTok em operação, mas garantir que os dados estivessem protegidos, conforme exige a lei”, disse. Vance também destacou que, apesar da avaliação oficial de US$ 14 bilhões, analistas consideram o valor abaixo do mercado. Em abril deste ano, estimativas apontavam que o aplicativo poderia valer entre US$ 30 bilhões e US$ 40 bilhões somente nos EUA. Já a ByteDance, controladora global da plataforma, tem valor de mercado de cerca de US$ 330 bilhões.
A ordem ainda prevê que empresas consideradas “parceiras confiáveis” dos EUA façam auditoria contínua em atualizações de software, algoritmos e fluxos de dados, além de retreinar sistemas que utilizam informações de usuários locais. O objetivo, segundo o governo americano, é impedir que “adversários estrangeiros” possam manipular ou explorar dados sensíveis.
Com a decisão, a pressão sobre o TikTok cresce e a rede social se vê diante de uma encruzilhada: manter sua base de 170 milhões de usuários no país sob novas regras rígidas ou enfrentar o risco de ser banida do maior mercado de tecnologia do mundo.






Deixe um comentário