Trump ataca deputadas muçulmanas e fala em deportação dos EUA

Presidente reage a protesto durante discurso do Estado da União com ofensas, gera críticas de democratas e entidades de direitos civis

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocou nova polêmica ao atacar as deputadas democratas Ilhan Omar e Rashida Tlaib após ser interrompido durante o discurso do Estado da União. Em publicação nas redes sociais, o republicano afirmou que as parlamentares deveriam ser “internadas” e enviadas de volta “para seus países de origem”, apesar de ambas serem cidadãs americanas.

As críticas das congressistas ocorreram durante a sessão de terça-feira (24), quando contestaram a política migratória de linha dura do governo e ações de fiscalização. Tlaib gritou que o presidente estaria “matando americanos”, enquanto Omar o chamou de “mentiroso”, em um dos momentos mais tensos do pronunciamento.

Na resposta, Trump afirmou que as duas estavam com “olhos esbugalhados e vermelhos de pessoas loucas” e as classificou como “lunáticas” e “mentalmente perturbadas”. A declaração foi publicada na plataforma Truth Social e rapidamente repercutiu no cenário político americano.

Ataques ampliam tensão sobre política migratória

Além das ofensas às parlamentares, o presidente voltou a fazer acusações contra comunidades somalis nos Estados Unidos. Ele mencionou supostos esquemas de fraude e declarou que “piratas somalis” teriam saqueado o estado de Minnesota, justificando o envio de agentes federais armados para a região.

Organizações de direitos humanos afirmam que a retórica reforça um clima de medo entre imigrantes e acusam o governo de utilizar casos isolados para ampliar medidas de repressão. As entidades apontam que o discurso contribui para o aumento da tensão social e política em torno do tema migratório.

As duas deputadas são frequentemente críticas às operações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) e às políticas de deportação em massa defendidas pelo atual governo.

Democratas e entidades civis reagem às declarações

A fala do presidente gerou reação imediata entre líderes democratas. O líder da minoria na Câmara, Hakeem Jeffries, classificou o comentário como “xenófobo” e “vergonhoso”. Já Tlaib afirmou que as declarações demonstram que Trump estaria “em crise”.

O Conselho de Relações Americano-Islâmicas também condenou a postura. O vice-diretor nacional da entidade, Edward Ahmed Mitchell, afirmou que é racista sugerir a deportação de parlamentares muçulmanas americanas por causa de críticas políticas.

Até o momento, a Casa Branca não se manifestou oficialmente sobre o episódio, que aprofunda a polarização política em torno da imigração e da liberdade de expressão no Congresso dos Estados Unidos.

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