Operação da PF contra Cláudio Castro provoca reação da oposição na Alerj

Deputados estaduais cobram esclarecimentos após ação da Polícia Federal sobre suspeitas de fraudes fiscais e evasão de recursos no setor de combustíveis

A operação da Polícia Federal realizada nesta sexta-feira (15), que teve como um dos alvos o ex-governador Cláudio Castro (PL), provocou forte repercussão entre deputados de oposição na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Parlamentares de diferentes partidos usaram as redes sociais para comentar a ofensiva da PF, que investiga suspeitas de fraudes fiscais, ocultação patrimonial e evasão de recursos ao exterior envolvendo empresas do setor de combustíveis.

Os agentes estiveram na residência de Cláudio Castro, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio, para cumprir mandado de busca e apreensão no âmbito da Operação Sem Refino. A investigação também mira o empresário Ricardo Magro, dono da Refit, grupo que operava a antiga Refinaria de Manguinhos.

A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), dentro da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas. As investigação apontam para a existência de um conglomerado econômico suspeito de utilizar estruturas societárias e financeiras para ocultação de patrimônio, dissimulação de bens e envio irregular de recursos para fora do país.

Fiscalização e críticas

Entre os primeiros a se manifestar esteve o deputado Jari Oliveira (PSB), que classificou o episódio como “uma vergonha para o estado do Rio de Janeiro”.

“Hoje, o ex-governador Cláudio Castro foi alvo de uma ação da Polícia Federal, em uma investigação que apura fraudes fiscais, sonegação de impostos e outras irregularidades. Mais um episódio que envergonha a política do nosso estado”, escreveu o parlamentar.

A deputada Dani Monteiro (Psol) associou a operação ao histórico de investigações envolvendo a Refit e Ricardo Magro.

“Para quem não tá entendendo: isso tudo não se trata de um caso isolado. O centro das investigações envolve a Refit, uma das maiores devedoras de ICMS do estado, e seu proprietário, Ricardo Magro, incluído na lista vermelha da Interpol e apontado como um dos maiores devedores tributários do país”, afirmou.

Ela também mencionou outra investigação envolvendo o ex-governador. “Não esqueçam da investigação sobre o inexplicável aporte de R$ 970 milhões da RioPrevidência no Banco Master. O Rio de Janeiro merece respostas!”, publicou.

Cobrança por transparência

A deputada Marina do MST (PT) afirmou que o estado enfrenta sucessivos escândalos enquanto a população convive com problemas nos serviços públicos.

“Enquanto o povo sofre com transporte precário, falta de saneamento e abandono nos territórios, o Rio segue cercado por escândalos e suspeitas graves de corrupção”, escreveu.

Ela também declarou que “o povo fluminense merece respeito e transparência com o dinheiro público” e defendeu a responsabilização dos envolvidos caso as suspeitas sejam confirmadas.

Repercussão política

A deputada Verônica Lima (PT) foi outra a comentar sobre a operação nas redes sociais. “Cláudio Castro acordou hoje com a Polícia Federal batendo na porta”, escreveu.

Na sequência, a parlamentar afirmou que “o Rio de Janeiro não pode continuar convivendo com governos cercados por suspeitas, operações policiais e denúncias graves envolvendo poder econômico e possíveis fraudes”.

Já a deputada Renata Souza (Psol) publicou uma mensagem em tom de ironia sobre a operação. “TOC TOC TOC é a Polícia Federal…. Nova pesquisa aponta: Cláudio Castro na frente pro Senado… E a Polícia Federal logo atrás!”, escreveu.

CPI da Refit

Na quinta-feira (14), um dia antes da operação, o deputado Vitor Júnior (PDT) já havia defendido, durante discurso no plenário da Alerj, a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a Refit e o empresário Ricardo Magro.

A proposta ganhou novo peso político após a deflagração da Operação Sem Refino, que ampliou a pressão sobre aliados do ex-governador e reacendeu debates na Assembleia sobre fiscalização de benefícios fiscais e atuação de empresas do setor de combustíveis no estado.

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