Três Rios volta às urnas neste domingo sob incerteza com recurso de ex-prefeito no STF

Eleição suplementar para prefeito e vice será neste domingo, mas resultado pode ser anulado caso Supremo suspenda o pleito

O município de Três Rios, no Centro-Sul Fluminense, viverá neste domingo (5) mais um capítulo de sua instável disputa política. Os 61.308 eleitores aptos a votar estão convocados a escolher o novo prefeito e vice-prefeito, após a Justiça Eleitoral cassar o mandato de Joa Barbaglio (Republicanos), reeleito em 2024, por rejeição de contas no período em que presidiu a Câmara Municipal. No entanto, o pleito ocorre sob clima de incerteza, já que o ex-prefeito recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar suspender a eleição.

O processo foi enviado ao gabinete do ministro Luiz Fux, relator do caso, e está concluso para análise. Caso o pedido seja aceito, o resultado da votação pode ser anulado.

Disputa por mandato até 2028

Cinco chapas concorrem ao cargo de prefeito e vice, em mandato válido até 31 de dezembro de 2028. São elas:

  • Anderson Bento de Medeiros (PRD), o professor Anderson Muriçoca, com Jozemar Corrêa (Dão) de vice;
  • Beatriz Retto Bogossian (PSD), em chapa pura com Juliano Maia de vice;
  • Jonas Mascarenhas Macedo (Podemos), o Jonas Dico, atual prefeito interino, em coligação com o MDB. O vice é Arsonval Macedo Liliu;
  • Jorge Luis de Almeida (DC), com Luis Fernando Coelho de vice;
  • Juarez de Souza Pereira (Solidariedade), o Juarez da Saúde, em coligação com o Novo, tendo o professor Jacqueson Martins Lima de vice.

Jonas Dico, que assumiu interinamente a prefeitura como presidente da Câmara após a cassação de Joa Barbaglio, conta com o apoio do ex-prefeito, declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Já o atual secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Vinícius Farah (União Brasil), que chegou a ser cotado como um dos principais nomes para a disputa, preferiu não se envolver na eleição suplementar.

Como será a votação

A votação ocorrerá das 8h às 17h. Poderão votar os eleitores com domicílio eleitoral em Três Rios até 7 de maio de 2025 e em situação regular com a Justiça Eleitoral. O voto é obrigatório para maiores de 18 e menores de 70 anos, e facultativo para analfabetos, jovens de 16 e 17 anos e eleitores acima de 70.

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) reforçou que está proibido o uso de celulares, câmeras e outros dispositivos eletrônicos na cabine de votação, a fim de garantir o sigilo do voto. A apuração começa logo após o fechamento das urnas, com a emissão dos boletins a partir das 17h.

Fim da campanha e regras eleitorais

A propaganda eleitoral encerra-se neste sábado (4), às 22h, quando também termina o prazo para carreatas e distribuição de panfletos. Até 48 horas após o encerramento da eleição, ficam suspensas prisões e detenções de eleitores, exceto em casos de flagrante delito ou crimes inafiançáveis.

No dia da votação, será permitido apenas o uso individual e silencioso de símbolos partidários, como camisetas, broches ou bandeiras.

Entenda a origem da nova eleição

A eleição suplementar foi convocada depois que Joa Barbaglio, reeleito em 2024 com 28.632 votos (60,99% do total), teve o registro de candidatura indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ). A decisão foi baseada na rejeição de suas contas durante o período em que presidiu a Câmara de Vereadores.

Mesmo com uma liminar que lhe permitiu tomar posse em janeiro de 2025, o TSE confirmou sua cassação em julho, tornando-o inelegível. Como Barbaglio obteve mais de 50% dos votos válidos, a legislação eleitoral impede a posse do segundo colocado e determina a realização de um novo pleito direto.

Recurso ao Supremo cria impasse

Inconformado, o ex-prefeito entrou com uma reclamação no STF alegando violação ao princípio da anualidade eleitoral. Segundo a defesa, a mudança de entendimento jurídico que embasou sua inelegibilidade ocorreu menos de um ano antes da eleição de 2024, o que violaria o artigo 16 da Constituição. Joa pede a suspensão imediata da eleição deste domingo até o julgamento definitivo do recurso.

Enquanto o Supremo não se pronuncia, a população de Três Rios se prepara para ir às urnas em meio à dúvida: o resultado poderá definir o futuro político do município — ou se tornar apenas mais um episódio da longa disputa judicial que paralisa a cidade desde o início do ano.

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