TRE-RJ cria protocolo para combater fake news e deepfakes nas eleições de 2026

Tribunal do Rio terá “via expressa” para remoção de conteúdos ilegais e usará peritos, jornalistas e inteligência digital no monitoramento das redes sociais

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) criou um protocolo detalhado para o combate à propaganda eleitoral irregular na internet e à desinformação durante as eleições de 2026. A nova estrutura prevê monitoramento digital, análise técnica especializada e um rito acelerado para remoção de conteúdos considerados ilegais nas redes sociais.

O protocolo prevê integração com órgãos de segurança e inteligência, como Polícia Federal, Polícia Civil e ABIN. Além das denúncias externas, o próprio núcleo poderá abrir procedimentos a partir do monitoramento das redes sociais feito pela equipe técnica.

A medida transforma o chamado NFPE-Digital, núcleo especializado do tribunal, em uma espécie de central de inteligência eleitoral para atuar contra fake news, deepfakes, impulsionamento irregular e ataques coordenados contra candidatos e instituições eleitorais.

O objetivo é acelerar a resposta da Justiça Eleitoral diante da velocidade com que conteúdos falsos se espalham nas plataformas digitais.

“Via expressa” para casos graves

Um dos principais pontos do protocolo é a criação de uma tramitação urgente para casos considerados de alto risco, como:

  • deepfakes produzidos com inteligência artificial;
  • campanhas de desinformação em massa;
  • ataques ao sistema eleitoral;
  • viralização rápida de conteúdos falsos;
  • publicações com potencial de causar dano irreparável durante a campanha.

Nessas situações, o processo poderá ter prioridade máxima para permitir decisões rápidas de remoção de conteúdo.

O núcleo contará com uma equipe multidisciplinar formada por especialistas em tecnologia, inteligência digital, perícia, comunicação e análise jurídica.

Entre as funções previstas estão:

  • identificação de robôs e redes artificiais;
  • rastreamento de campanhas coordenadas;
  • análise de deepfakes;
  • preservação de provas digitais;
  • checagem de informações;
  • elaboração de relatórios técnicos para juízes eleitorais.

O ato que disciplina a ação também prevê participação de jornalistas na etapa de fact-checking, com apoio de agências especializadas em checagem de fatos.

WhatsApp, Pardal e inteligência policial

As denúncias poderão chegar ao TRE-RJ por diferentes canais, incluindo:

  • aplicativo Pardal;
  • WhatsApp oficial do tribunal;
  • e-mail institucional;
  • Ouvidoria;
  • sistema judicial eletrônico;
  • denúncias presenciais.

Provas digitais “blindadas”

A nova regulamentação cria regras específicas para preservar provas digitais com rigor técnico e jurídico.

O tribunal prevê:

  • captura forense de conteúdos;
  • registro de data, hora e URL;
  • geração de códigos criptográficos de autenticidade;
  • cadeia de custódia digital;
  • armazenamento seguro das evidências.

Na prática, isso permite que provas sejam preservadas mesmo que o conteúdo seja apagado posteriormente das redes sociais.

Plataformas poderão receber ordens diretamente

Após a análise técnica, o núcleo produzirá relatórios e propostas de decisão para os magistrados. Entre as medidas que os juízes poderão determinar estão remoção de conteúdos; suspensão de impulsionamentos; notificação direta às plataformas; envio do caso ao Ministério Público Eleitoral e abertura de investigações.

A ideia é reduzir o tempo entre a denúncia e a retirada do conteúdo do ar.

Depois do cumprimento das decisões, os casos poderão ser encaminhados ao Ministério Público Eleitoral para abertura de ações judiciais, investigações criminais e outras medidas.

O novo protocolo também reforça a preocupação da Justiça Eleitoral com o uso crescente de inteligência artificial e manipulação digital nas campanhas de 2026.

Com a regulamentação, o TRE-RJ amplia sua estrutura de fiscalização digital e institucionaliza um modelo de atuação permanente contra desinformação eleitoral.

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