O atual comandante da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen, negou nesta sexta-feira (23) qualquer mobilização, ordem ou planejamento envolvendo o uso de veículos blindados para impedir ou restringir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2023. A informação foi dada em depoimento prestado ao Supremo Tribunal Federal (STF), na condição de testemunha de defesa do ex-comandante da Marinha, almirante Almir Garnier Santos, acusado de participação em uma suposta trama golpista articulada pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL).
Durante o interrogatório conduzido pelo advogado de defesa Demóstenes Torres, Olsen confirmou que, mesmo diante das suspeitas levantadas pela Polícia Federal (PF) no relatório final das investigações, a Marinha não realizou qualquer movimentação que envolvesse blindados para ações contra o processo democrático. “Em momento nenhum houve ordem, mobilização ou planejamento do emprego de veículos blindados para fins que impeçam ou restrinjam o exercício dos Poderes constitucionais”, afirmou o comandante, segundo O Globo..
A controvérsia surgiu a partir de mensagens interceptadas pela PF que indicavam uma possível mobilização. Uma delas, trocada entre o tenente-coronel da reserva Sérgio Cavaliere e o tenente-coronel Mauro Cid, mencionava que havia tanques no arsenal “prontos” para uso, e que Garnier seria um “patriota” disposto a atuar nesse sentido. A mensagem foi atribuída a um interlocutor identificado como “Riva”, cuja identidade permanece desconhecida pelas autoridades.
Em novembro de 2024, após a divulgação do relatório da Polícia Federal, a Marinha já havia emitido uma nota oficial para esclarecer que a prontidão dos meios navais, aeronavais e de fuzileiros navais não foi nem seria utilizada para ações que restrinjam o exercício dos Poderes Constitucionais. O documento reafirmava o compromisso da instituição com a legalidade e a ordem democrática.
Garnier nega que tenha dado apoio a plano golpista
A defesa do ex-comandante Almir Garnier Santos reitera que ele não compactuou com nenhum plano golpista e que não houve envolvimento direto dele em qualquer ação que visasse impedir a posse de Lula. O depoimento do almirante Olsen reforça essa versão e busca afastar as suspeitas que pesam sobre Garnier no âmbito do processo judicial.





