Trama golpista: comandante da Marinha nega mobilização de blindados para impedir posse de Lula

Marcos Sampaio Olsen afirma ao STF que não houve ordem nem planejamento para uso de tanques na tentativa de golpe de 2022

O atual comandante da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen, negou nesta sexta-feira (23) qualquer mobilização, ordem ou planejamento envolvendo o uso de veículos blindados para impedir ou restringir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2023. A informação foi dada em depoimento prestado ao Supremo Tribunal Federal (STF), na condição de testemunha de defesa do ex-comandante da Marinha, almirante Almir Garnier Santos, acusado de participação em uma suposta trama golpista articulada pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL).

Durante o interrogatório conduzido pelo advogado de defesa Demóstenes Torres, Olsen confirmou que, mesmo diante das suspeitas levantadas pela Polícia Federal (PF) no relatório final das investigações, a Marinha não realizou qualquer movimentação que envolvesse blindados para ações contra o processo democrático. “Em momento nenhum houve ordem, mobilização ou planejamento do emprego de veículos blindados para fins que impeçam ou restrinjam o exercício dos Poderes constitucionais”, afirmou o comandante, segundo O Globo..

A controvérsia surgiu a partir de mensagens interceptadas pela PF que indicavam uma possível mobilização. Uma delas, trocada entre o tenente-coronel da reserva Sérgio Cavaliere e o tenente-coronel Mauro Cid, mencionava que havia tanques no arsenal “prontos” para uso, e que Garnier seria um “patriota” disposto a atuar nesse sentido. A mensagem foi atribuída a um interlocutor identificado como “Riva”, cuja identidade permanece desconhecida pelas autoridades.

Em novembro de 2024, após a divulgação do relatório da Polícia Federal, a Marinha já havia emitido uma nota oficial para esclarecer que a prontidão dos meios navais, aeronavais e de fuzileiros navais não foi nem seria utilizada para ações que restrinjam o exercício dos Poderes Constitucionais. O documento reafirmava o compromisso da instituição com a legalidade e a ordem democrática.

Garnier nega que tenha dado apoio a plano golpista

A defesa do ex-comandante Almir Garnier Santos reitera que ele não compactuou com nenhum plano golpista e que não houve envolvimento direto dele em qualquer ação que visasse impedir a posse de Lula. O depoimento do almirante Olsen reforça essa versão e busca afastar as suspeitas que pesam sobre Garnier no âmbito do processo judicial.

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