O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia nesta segunda-feira (10) a fase de interrogatórios dos réus apontados como integrantes do “núcleo central” da suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Pela primeira vez, os oito acusados — entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro — ficarão frente a frente com o ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal que apura a trama.
Os depoimentos acontecerão na sala de audiências da Primeira Turma do STF e devem se estender até a próxima sexta-feira (14). A abertura será com o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e único réu que firmou acordo de colaboração premiada com a Justiça. Por regra processual, colaboradores devem ser ouvidos antes dos demais, para que suas declarações possam ser confrontadas pelas defesas.
Após Cid, os interrogatórios seguirão ordem alfabética: Alexandre Ramagem, Almir Garnier, Anderson Torres, Augusto Heleno, Jair Bolsonaro, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto. Todos devem comparecer presencialmente ao Supremo, com exceção de Braga Netto, que está preso preventivamente desde dezembro e será ouvido por videoconferência, de forma simultânea aos demais.
A presença simultânea dos réus e seus advogados permitirá que cada defesa reaja às acusações em tempo real, numa fase considerada decisiva do processo.
Em evento do PL Mulher na última sexta-feira (7), em Brasília, Bolsonaro comentou sobre seu interrogatório e afirmou que comparecerá com “a verdade” ao seu lado. Ele vem incentivando apoiadores a acompanhar a sessão, que será transmitida ao vivo.
“Não vou lá para lacrar, para querer crescer, para desafiar quem quer que seja. Estarei lá com a verdade ao nosso lado. Não fugimos de qualquer chamamento”, declarou.
Apesar de já ter dividido o mesmo espaço com Moraes durante o julgamento da denúncia, em março, esta será a primeira vez em que ambos terão contato direto, já que o ministro será responsável por conduzir as perguntas aos acusados.
Os réus têm o direito de permanecer em silêncio durante os interrogatórios, conforme previsto na Constituição, que garante a todos os acusados o direito de não produzir prova contra si mesmos.
A agenda foi anunciada por Alexandre de Moraes ao fim da fase anterior do processo, quando 52 testemunhas indicadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e pelas defesas foram ouvidas ao longo de duas semanas.
A fase atual pode definir os rumos do julgamento, que analisa se houve tentativa coordenada de ruptura institucional para manter Bolsonaro no poder após sua derrota eleitoral.





