Traficantes do Ceará escondidos na Rocinha ordenaram mais de mil mortes e ataques a provedores de internet, revela MP

Os criminosos estavam abrigados em uma área de difícil acesso chamada Dioneia

Uma operação conjunta entre as forças de segurança do Rio de Janeiro e do Ceará revelou um esquema chocante: traficantes do Ceará estavam escondidos em um prédio de luxo na comunidade da Rocinha, na Zona Sul do Rio, de onde ordenavam crimes brutais em seu estado de origem.

De acordo com o Ministério Público, mais de mil homicídios teriam sido ordenados remotamente a partir da favela carioca nos últimos dois anos. As informações foram confirmadas pelo procurador-geral de Justiça do Rio, Antonio José Campos Moreira, durante coletiva neste sábado (31).

Promotores do Ceará que participam da ação conjunta informaram que os ataques a provedores de internet ocorridos este ano no estado foram ordenados da Rocinha. Os ataques ocorreram em bairros da periferia de de Fortaleza (CE), cidades da região metropolitana e um município no interior do estado.

De acordo com o MPCE, as investigações mostraram que os integrantes do Comando Vermelho no estado exigiam dinheiro das operadoras de internet para permitir a oferta do serviço e promoviam ações de retaliação contra os provedores que se recusavam a pagar propina.

Os criminosos estavam abrigados em uma área de difícil acesso chamada Dioneia. O prédio onde os bandidos viviam ostentava uma bandeira do Estado do Ceará e contava com forte aparato bélico. Segundo os investigadores, o Comando Vermelho cearense pagava a traficantes locais para garantir proteção e estadia. O MPRJ estima que pelo menos 80 bandidos estão instalados na comunidade.

Apesar da megaoperação, nenhuma das lideranças do grupo foi capturada. Fontes da polícia informaram que os alvos conseguiram fugir pela mata momentos antes do cerco policial. Durante a ação, foram apreendidos quatro fuzis, duas pistolas, um revólver, um fuzil de airsoft, munição e drogas ainda em fase de contabilização. Um homem com mandado de prisão em aberto foi preso.

Durante o confronto, um policial militar foi baleado no pescoço e socorrido para o Hospital Municipal Miguel Couto. Ele passou por cirurgia e seu estado de saúde é estável.

Moradores relataram uma madrugada de terror com intensas trocas de tiros. Quatro fuzis, três pistolas, celulares e um rádio transmissor foram apreendidos no local.

Segundo o MP, além das execuções, os traficantes também coordenavam o tráfico de drogas e extorquiam operadoras de internet que atuam nas comunidades. “Eles ordenavam todo tipo de crime de dentro daquele prédio”, declarou uma fonte ligada à investigação.

O governador Cláudio Castro esteve na Rocinha ao lado do procurador-geral de Justiça, do secretário de Segurança Victor Santos e do coronel Marcelo de Menezes Nogueira, reforçando o apoio às operações conjuntas contra o crime organizado interestadual.

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