Traficante Matuê foi baleado durante operação e está escondido na Gardênia Azul, diz polícia

Quadrilha alvo da ação está envolvida na morte do agente da Core José Antônio Lourenço Júnior

O traficante Ygor Freitas de Andrade, vulgo Matuê, foi baleado durante a operação conjunta das polícias Civil e Militar, nesta quarta-feira (13). Escondido em uma região de mata na Gardênia Azul, Zona Oeste, ele está sendo procurado pelos agentes. Dois seguranças do criminoso já foram presos.

“Estamos no encalço do Matuê, a informação é de que ele está ferido em uma área de mata, uma área difícil, um manguezal grande. Estamos com várias unidades especiais que estão aumentando nosso raio de vasculhamento atrás dele”, disse o tenente-coronel Marcelo Corbage, do Bope.

A ação, que tenta conter a expansão do Comando Vermelho na Cidade de Deus e na Gardênia Azul, já tem cinco suspeitos presos, entre eles um baleado, quatro mortos em confronto e três adolescentes apreendidos.

Um policial do Bope foi ferido durante um confronto em área de mata e socorrido por um helicóptero da corporação. Não há informações sobre o seu estado de saúde.

A quadrilha, segundo a polícia, está envolvida na morte do policial civil da Coordenadoria de Recursos Especiais José Antônio Lourenço Júnior.

“Essa quadrilha é responsável pelo grande número de roubos de carga na região. Ela é responsável, também, de ter assassinado covardemente o policial da Core, e, na semana passada, baleou dois policiais do 18º BPM”, completou Corbage.

Com uma ficha criminal extensa, Ygor é alvo de dois mandados de prisão, incluindo um por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Ele é ligado à facção Comando Vermelho e integra a quadrilha liderada por Juan Breno Malta Ramos Rodrigues, o BMW.

As investigações apontam que os criminosos estão tentando montar um grande ‘complexo’ na Zona Oeste, unindo as três comunidades: Chacrinha, CDD e Gardênia.

Atuam nas comunidades equipes do Batalhão de Operações Especiais (Bope), 18º BPM (Jacarepaguá), Subsecretaria de Inteligência da Polícia Militar e setores de inteligência da Draco, DRE-CAP e 22ª DP (Penha).

“A facção Comando Vermelho tem um plano expansionista bem claro, tanto o Matuê quanto o BMW são responsáveis por essas quadrilhas que fazem essas invasões e ataques à milícia que ali tinha. E eles estão querendo criar um grande complexo”, explica o Delegado Álvaro Gomes, titular da Draco.

Quem é Matuê?

O suspeito possui histórico criminal extenso. Desde julho de 2019 está foragido, após receber um indulto. Tem passagens anteriores pelo sistema penitenciário e duas evasões registradas. Contra ele há dois mandados de prisão em aberto: um expedido pela 1ª Vara Criminal da Capital, pelos crimes de homicídio qualificado e destruição ou ocultação de cadáver; e outro pela 42ª Vara Criminal da Capital, por tráfico de drogas.

A morte do agente da Core ocorreu durante uma operação conjunta da Polícia Civil com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), no dia 19 de maio, voltada à desarticulação de uma rede clandestina de produção de gelo contaminado, destinado a estabelecimentos na Barra da Tijuca e no Recreio dos Bandeirantes.

José Antônio, policial civil da Coordenadoria de Recursos Especiais

Impactos

Durante a ação, um grupo tentou fechar a Avenida Ayrton Senna, em protesto, incendiando objetos. O trânsito chegou a ficar intenso na região, logo pela manhã.

Mais tarde, criminosos sequestraram dois ônibus, um deles foi atravessado na rua Edgar Werneck. Com a chegada da polícia, eles correram. Por conta disso, nove coletivos estão com o desvio de rota:

348 Riocentro x Candelária
353 Gardênia Azul x Term. Gentileza
368 Riocentro x Candelária
600 Taquara x Saens Peña
611 Camorim x Del Castilho
691 Cidade de Deus x Méier
861 Curicica x Rio das Pedras
900 Merck x Downtown
990 Merck x Joatinga

Denúncia

Moradores da Gardênia Azul, na Zona Oeste do Rio, denunciaram violência durante a operação. Em um vídeo gravado na comunidade, o chão aparece coberto de sangue enquanto dois homens são colocados na caçamba de um carro da PM, um deles ferido. Moradores se reúnem ao redor e pedem pelo fim das represálias.

“Levou tapa na cara, estão indo com baleado. Olha a covardia que a gente sofre, hora de criança estar indo para escola. Não da mais, que inferno!”, grita uma mulher, que chega a chamar os militares do 18º BPM (Jacarepaguá) de desgraçados.

Assista:

Procurada, a PM informou que, até o momento, não houve formalização de denúncias neste sentido.

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