Tradicional bloco Cordão do Bola Preta homenageia o Rio nos 460 anos da “Cidade Maravilhosa”

Com o tema “Rio, eu te amo”, o bloco leva para as ruas cariocas a paixão pela cidade

O centenário Cordão da Bola Preta, referência carnavalesca que arrasta a maior multidão do Rio para o Centro da cidade, desfila neste sábado (1º), dia em que a Cidade Maravilhosa completa 460 anos.

Com o tema “Rio, eu te amo”, o bloco leva para as ruas cariocas a paixão pela cidade. O desfile começou às 9h na Rua Primeiro de Março e segue até a Avenida Presidente Antônio Carlos. A previsão de termino é por volta das 13h.

A rainha do bloco, a atriz Paolla Oliveira, chegou pouco antes das 9h. “É muito especial começar o meu carnaval aqui no Bola, que tem toda a tradição e que traz essa liberdade a flor da pele. Estou emocionadíssima. Minha energia está lá no alto. O carnaval está em mim, está na minha história”, garantiu a rainha.

Paolla Oliveira, rainha de bateria do Cordão da Bola Preta — Foto: Rafael Nascimento / g1 Rio

Um grupo de 40 pessoas se fantasiou de garis — com direito a vassouras, pás e caçambas de lixo — e foi para o bloco. Todos parentes, eles saíram de Realengo, Zona Oeste, ainda de madrugada.

“Esse é uma homenagem ao meu pai. Ele trabalha há mais de 20 anos na companhia de lixo do Rio. Queremos mostrar a importância desse turma para a cidade”, conta Elisa da Silva, auxiliar administrativo.

Segundo ela, quando ele soube da homenagem, o pai ficou muito emocionado. “Infelizmente, ele não está aqui porque está de plantão”, contou.

O paraibano Henrique Almeida, que mora em Duque de Caxias, se vestiu de Sub-Zero, personagem dos jogos eletrônicos Mortal Kombat, para o Bola Preta. Ele afirma que todo ano se fantasia. “Em sempre me inspiro em algum personagem de jogo eletrônico. Estou morrendo de calor, mas daqui a pouco vou abrir uma cerveja bem gelada”, diz Almeida.

Pouco antes das 8h, as amigas Luciene Pereira Martins e Luciana Paula já estavam em frente ao primeiro trio do bloco. Enquanto uma vinha pela primeira vez, a outra já frequenta o cortejo já 8 carnavais.

“Essa é a minha primeira vez. Eu moro em Sepetiba, na Zona Oeste, e foi uma saga. Acordei às 4h, saí de casa às 5h e foi até o metrô da Barra. Lá, peguei o metrô e desembarquei na Uruguaiana”, conta Luciene Pereira.

Fundado em 1918, o Cordão do Bola Preta desfila no Centro do Rio com as cores brancas e pretas e sua banda formada por percussão e metais. O bloco, que já levou mais de 2 milhões de pessoas para a festa de rua, sai na Rua Primeiro de Março.

Assim como no último ano, a Polícia Militar montou pontos de barreiras nas entradas da Avenida Primeiro de Março. Os foliões são revistados e só depois acessam ao local do desfile.

Segundo Pedro Ernesto Marinho, presidente do Cordão da Bola Preta, a responsabilidade de carregar esse pavilhão é grande.

“O Bola Preta é a essência do Rio. Ele não seria o que é em outra cidade. Para nós, desfilar no 460 anos é uma honra. É a manutenção de uma essência do carnaval. O Bola Preta defende a cultura da cidade e suas tradições. Sem carnaval não haveria Bola Preta e quando não tem Bola Preta o carnaval não é igual”, garante Marinho.

A foliã Ângela de Moraes, de 70 anos, é Cavalcante, na Zona Norte do Rio, e frequenta o bloco desde quando era criança.

“Eu vinha com a minha mãe quando eu ainda era bebê. Ela se foi, e eu continuo vindo. A cada ano eu faço uma fantasia diferente”, conta a aposentada, que neste ano está com a fantasia “quem não chora, não mama”.

Com informações do g1.

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