Trabalhador é baleado por ex-PM ao ser confundido com criminoso na Penha

Vítima voltava do trabalho de mototáxi quando foi atingida; autor dos disparos se apresentou à polícia

Um policial militar aposentado atirou contra um homem na madrugada desta segunda-feira (24), na Penha, Zona Norte do Rio, ao confundi-lo com um assaltante. O disparo atingiu as costas de Igor Melo de Carvalho (foto), estudante de publicidade, que voltava do trabalho de mototáxi. Ele passou por cirurgia e perdeu um rim. O caso levanta questionamentos sobre a abordagem do ex-PM e a presunção de culpa atribuída à vítima.

O incidente ocorreu após a esposa do ex-policial ter o celular roubado. Desesperado, o PM da reserva decidiu perseguir dois homens negros em uma motocicleta, acreditando serem os autores do crime. No viaduto da Penha, ele disparou contra a dupla. Igor, passageiro do mototáxi, conseguiu rastejar para fora da pista e pedir ajuda ao dono da casa de shows onde trabalha.

Levado ao hospital Getúlio Vargas, Igor foi inicialmente tratado como vítima. No entanto, ao chegar ao local, a mulher assaltada afirmou que ele estaria envolvido no crime, mudando o status dele para custodiado. A polícia confirmou que o ex-PM se apresentou como autor dos disparos, alegando que sua esposa reconheceu o mototaxista como um dos responsáveis pelo roubo.

Testemunhas relataram que, momentos após o assalto, Igor e o mototaxista passaram pela mulher, que os identificou como suspeitos com base nas roupas. O mototaxista, bem avaliado em um aplicativo, possuía mais de 1.000 corridas e nota 4,7.

Família diz que Igor foi vítima de racismo estrutural

A família de Igor e advogados afirmam que ele foi vítima de tentativa de homicídio e racismo estrutural. “Ele está sendo tratado como bandido, perdeu um rim e ainda responde como suspeito”, declarou sua prima, a historiadora Pâmela Carvalho. O advogado Rodrigo Mondego, da Comissão Popular de Direitos Humanos, reforçou que Igor é inocente e pede que as autoridades reconheçam sua condição de vítima.

A Polícia Civil ainda não esclareceu se a investigação incluirá a tentativa de homicídio contra Igor. O caso segue em análise pela 22ª Delegacia de Polícia.

Com informações do UOL

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