Tirolesa do Pão de Açúcar é liberada pelo STJ, mas obra segue parada à espera de licenças

Obras continuam suspensas apesar de decisão judicial favorável; moradores da Urca protestam contra instalação do equipamento

Paralisada há cerca de dois anos, a obra da tirolesa que vai ligar os morros da Urca e do Pão de Açúcar, na Zona Sul do Rio, continua sem previsão de retomada. Apesar da recente decisão favorável do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que rejeitou recurso do Ministério Público Federal (MPF) contra a instalação do equipamento de lazer, o cronograma de obras só será definido após a renovação das licenças ambientais e patrimoniais necessárias — processo que ainda está em curso.

Em nota, o Parque Bondinho Pão de Açúcar, responsável pela implantação da tirolesa, informou que já deu entrada nos pedidos de renovação junto aos órgãos competentes e que pretende divulgar os novos prazos “em breve”. Até a noite de quarta-feira (12), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), responsável pelo tombamento do ponto turístico, declarou não ter recebido nenhuma solicitação formal sobre a retomada dos trabalhos.

Na última terça-feira (10), a maioria dos ministros do STJ entendeu que o recurso do MPF, protocolado em abril do ano passado, não seguia os requisitos legais para a suspensão da obra. De acordo com o tribunal, o pedido não demonstrava com clareza se havia violação de lei federal, tampouco apresentava provas concretas de dano ao patrimônio.

A decisão do STJ, no entanto, destacou que “a paralisação da obra — que já está 95% concluída — causaria mais prejuízos ao patrimônio público do que sua finalização”. O caso agora está sob análise da Procuradoria-Geral da República, que ainda não informou se pretende recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A proposta da tirolesa prevê um trajeto de 755 metros de extensão, com o aventureiro cruzando a linha a 395 metros de altura, entre os morros da Urca e do Pão de Açúcar, em uma cadeirinha de tecido ultrarresistente, presa por cabos de segurança. Segundo a empresa responsável, os usuários poderão atingir velocidades de até 100 km/h. A capacidade de atendimento será limitada a cem pessoas por hora, e a operação deve gerar 52 empregos diretos.

Apesar da liberação judicial, a continuidade do projeto depende ainda da renovação dos pareceres técnicos que garantam sua conformidade ambiental e patrimonial — condição essencial para o reinício das obras em um dos cartões-postais mais emblemáticos do Rio de Janeiro.

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