TikTok remove vídeos de trend que simulava agressões contra mulheres após investigação da PF

Conteúdos mostravam encenações de violência após rejeição amorosa; ao menos 20 vídeos foram retirados da plataforma, mas perfis permanecem ativos

O TikTok removeu da plataforma vídeos ligados à trend “treinando caso ela diga não”, que simulava agressões contra mulheres após rejeições em pedidos de namoro ou casamento. A exclusão ocorreu depois de reportagens e do início de uma investigação da Polícia Federal (PF) sobre o conteúdo.

Ao menos 20 publicações identificadas pelo portal g1 foram retiradas do ar após a plataforma receber links dos vídeos. Os perfis responsáveis pelas postagens, no entanto, continuam ativos.

Vídeos encenavam reações violentas

Nos conteúdos, criadores simulavam abordagens românticas, geralmente um pedido de namoro ou casamento. Em seguida, surgia na tela a frase “treinando caso ela diga não” ou variações semelhantes.

Após a legenda, os autores encenavam reações agressivas diante da hipótese de rejeição, com cenas que incluíam socos em objetos, movimentos de luta e até simulações de golpes com faca.

Procurado, o TikTok informou que as publicações violam as regras da plataforma. Em nota, a empresa afirmou que removeu os conteúdos assim que foram identificados por sua equipe de moderação.

“Os referidos conteúdos violam nossas Diretrizes da Comunidade e foram removidos da plataforma assim que identificados. Não permitimos discurso de ódio, comportamento de ódio ou promoção de ideologias de ódio”, declarou a empresa.

Trend viralizou perto do Dia das Mulheres

A tendência ganhou força nas últimas semanas, em meio às discussões nas redes sociais próximas ao Dia Internacional das Mulheres. Vídeos analisados pelo g1 foram publicados entre 2023 e 2025 por perfis com seguidores que variavam de 883 a 177 mil pessoas e acumulavam mais de 175 mil interações.

Entre os conteúdos que voltaram a circular está um vídeo do influenciador Yuri Meirelles, conhecido por participar do clipe “Funk Rave”, de Anitta, e do reality show “A Fazenda”. Ele possui cerca de 1,7 milhão de seguidores no TikTok.

Após a repercussão negativa, o influenciador apagou a publicação e divulgou um pedido de desculpas, afirmando que a postagem foi feita como uma “brincadeira” associada à trend.

Polícia Federal investiga e Câmara discute medidas

A disseminação da tendência também levou à abertura de um procedimento investigativo pela Polícia Federal para apurar a divulgação de conteúdos que incentivam violência contra mulheres em redes sociais.

Segundo a corporação, a apuração começou após denúncias sobre a circulação desse tipo de material. Durante as diligências, a PF solicitou à plataforma a preservação de dados dos usuários e a remoção dos vídeos.

Paralelamente, a Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados deve analisar um requerimento para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) avalie possível responsabilização criminal por apologia à violência contra mulheres.

Algoritmos favorecem conteúdos virais

Para especialistas, a lógica de funcionamento das redes sociais contribui para a rápida disseminação desse tipo de conteúdo.

A pesquisadora Raquel Saraiva, presidente do Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife (IP.rec), afirma que vídeos polêmicos costumam gerar mais engajamento e, por isso, acabam sendo amplificados pelos algoritmos das plataformas.

Segundo ela, conteúdos educativos dificilmente alcançam a mesma visibilidade. “Certamente um vídeo dessa trend vai viralizar muito mais do que um vídeo educativo dizendo por que isso é violência contra a mulher”, afirmou.

Registros mais antigos desse formato de vídeo indicam que a ideia já circulava fora do Brasil, com publicações em inglês que reproduzem a mesma encenação de reações violentas após rejeições femininas.

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