A Venezuela enfrenta uma das maiores tragédias naturais de sua história recente após ser atingida por dois fortes terremotos na noite desta quarta-feira (24). O número de mortos chegou a 164, enquanto ao menos 971 pessoas ficaram feridas, segundo informou a presidente interina do país, Delcy Rodríguez. As equipes de resgate seguem mobilizadas em busca de sobreviventes sob os escombros, enquanto as autoridades ainda tentam dimensionar a extensão dos danos.
Os dois tremores, de magnitudes 7,2 e 7,5, ocorreram com menos de um minuto de intervalo e, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), configuram o mais forte terremoto registrado na Venezuela em mais de um século. Desde os abalos principais, cerca de 20 réplicas foram registradas, aumentando o temor da população e dificultando os trabalhos das equipes de emergência.
Diante da gravidade da situação, o governo decretou estado de emergência em todo o território nacional, fechou o principal aeroporto do país e declarou o estado de La Guaira como zona de desastre.
Maior terremoto em mais de um século
Segundo o USGS, o primeiro terremoto, de magnitude 7,2, ocorreu às 18h04 no horário local (19h04 em Brasília), com epicentro a cerca de 21 quilômetros a oeste de Morón, aproximadamente 200 quilômetros da capital Caracas.
Menos de um minuto depois, um segundo tremor, ainda mais intenso, de magnitude 7,5, atingiu uma área próxima ao primeiro epicentro.
Dados históricos do órgão apontam que este foi o terremoto mais forte registrado na Venezuela desde 1900, quando um abalo estimado em magnitude 7,7 causou grandes danos na costa nordeste do país.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos classificou o episódio como uma “catástrofe que deverá ter consequências consideráveis”.
Destruição atinge cidades e infraestrutura
Os danos são visíveis em diversas regiões venezuelanas. Equipes da AFP encontraram dezenas de edifícios destruídos ou severamente danificados em La Guaira, um dos locais mais afetados.
Sem energia elétrica, milhares de moradores passaram a noite nas ruas ou percorreram áreas destruídas em busca de familiares desaparecidos.
Na capital Caracas, um edifício residencial de 22 andares desabou completamente no bairro de Chacao. Além dos desabamentos, diversas regiões registraram interrupções no fornecimento de energia elétrica e ruas ficaram cobertas por destroços e cacos de vidro.
O Aeroporto Internacional de Maiquetía também sofreu danos estruturais e teve suas operações suspensas.
“O Aeroporto de Maiquetía está fechado devido aos graves danos em sua infraestrutura”, afirmou Delcy Rodríguez.
Ao anunciar as medidas emergenciais, a presidente interina informou que o governo concentra esforços na localização de vítimas.
“Há dezenas de prédios desabados e estamos empenhados em árduos esforços de resgate para salvar as vidas que Deus nos permitir salvar.”
Corrida contra o tempo nos resgates
As operações de busca continuam em várias cidades atingidas pelos terremotos.
Equipes de bombeiros, policiais, militares e voluntários trabalham para localizar pessoas presas sob os escombros de edifícios e residências.
Em Chacao, moradores passaram a integrar espontaneamente as ações de resgate, ajudando na retirada de destroços e procurando sobreviventes.
Durante uma das operações, um dos voluntários fez um apelo por equipamentos básicos para auxiliar nas buscas.
“Precisamos de lanternas”, pediu uma pessoa que ajudava a procurar sobreviventes entre os escombros.
Tremores foram sentidos em países vizinhos
Os abalos ultrapassaram as fronteiras venezuelanas e foram percebidos em outros países da região.
Na Colômbia, jornalistas da AFP relataram luminárias balançando, alarmes disparando e moradores deixando edifícios em Bogotá por precaução.
No Brasil, também houve registros de tremores em cidades da Região Norte, entre elas Belém, Manaus, Santarém, Macapá e Cutias do Araguari.
Comunidade internacional oferece ajuda
Diversos países anunciaram apoio às autoridades venezuelanas para auxiliar nas operações de resgate e no atendimento às vítimas.
Os Estados Unidos informaram que enviarão equipes especializadas em busca e salvamento, além de recursos médicos e assistência humanitária. O presidente Donald Trump declarou que o país está “pronto, disposto e apto a ajudar”.
A Alemanha também colocou sua estrutura de defesa à disposição da Venezuela. Segundo o ministro da Defesa, Boris Pistorius, o país poderá mobilizar até seis aeronaves militares A400M para transporte de equipes e equipamentos, caso receba solicitação oficial do governo venezuelano.
Também manifestaram solidariedade e ofereceram apoio países da América Latina, além de Espanha, Itália, China, Índia e a União Europeia.
Impacto ainda é incerto
Apesar da divulgação do primeiro balanço oficial, as autoridades venezuelanas afirmam que o número de vítimas pode aumentar nas próximas horas.
O estado de La Guaira, apontado pelo governo como a área mais devastada, ainda não teve todos os dados incorporados ao levantamento oficial de mortos e feridos.
Também não há, até o momento, um número consolidado de desaparecidos, pessoas soterradas, desabrigados ou edifícios completamente destruídos.
Enquanto as equipes seguem retirando escombros e buscando sobreviventes, novos balanços deverão ser divulgados à medida que o acesso às áreas mais atingidas for restabelecido.






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