Uma pesquisa inédita da UFSC e do Instituto Serrapilheira revelou que terras indígenas da Amazônia são essenciais para a produção agropecuária brasileira, gerando chuvas que abastecem 80% das áreas produtivas do setor em 18 estados e no Distrito Federal. Essa umidade, transportada pelos chamados rios voadores, é fundamental para a agricultura e pecuária, que juntas respondem por 22% do PIB nacional.
“A falta de chuva e a ameaça constante a essas terras, devido ao desmatamento, afetam a economia do país e das famílias brasileiras”, afirmou Caio Mattos, autor do estudo. Ele destacou que em algumas regiões, até um terço das chuvas têm origem nos territórios indígenas.
Estados como Rondônia e Mato Grosso, embora dependam da água dessas áreas, estão entre os que mais desmatam desde 1985. O impacto dessa devastação já é sentido: nos últimos 10 anos, a crise climática causou perdas de R$ 287 bilhões ao setor agropecuário, segundo a Confederação Nacional dos Municípios.
Em 2023, o Paraná, grande produtor de soja e milho, registrou perdas de R$ 10 bilhões devido à seca extrema. Já o Acre, severamente afetado pela estiagem, viu sua agricultura familiar sofrer com a falta de legumes e verduras, enquanto a produção de soja também foi impactada, segundo dados do Ministério da Indústria e Comércio Exterior.
Mais de 90% da agricultura brasileira depende de chuvas
A vegetação amazônica atua como uma bomba d’água, devolvendo à atmosfera a umidade que se transforma em chuvas para o restante do país. Como mais de 90% da agricultura brasileira depende de precipitações naturais, a preservação dessas terras é indispensável.
O estudo ressalta que 57% da renda agropecuária nacional provêm de nove estados que mais dependem da umidade gerada nas terras indígenas. Apesar disso, essas áreas sofrem constantes ameaças, com registros de mais de 200 mil propriedades sobrepostas a territórios protegidos, muitas vezes impulsionadas pela especulação para expansão do agronegócio.
A pesquisa conclui que proteger terras indígenas é não apenas uma medida ambiental, mas também econômica, essencial para a segurança alimentar e a estabilidade financeira do país.
Com informações do g1





