Desmatamento em Terras Indígenas e Unidades de Conservação aumentou 79% nos três anos de Bolsonaro

Os anúncios de recordes de desmatamento na Amazônia divulgados pelo programa Prodes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em relação aos 3 anos do Governo Bolsonaro mostram que houve sucateamento do órgão e também de todo o conjunto de políticas e órgão socioambientais — imprescindíveis para a preservação da região. Em 2021, aconteceu a terceira…

Os anúncios de recordes de desmatamento na Amazônia divulgados pelo programa Prodes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em relação aos 3 anos do Governo Bolsonaro mostram que houve sucateamento do órgão e também de todo o conjunto de políticas e órgão socioambientais — imprescindíveis para a preservação da região.

Em 2021, aconteceu a terceira alta consecutiva do desmatamento e também se registrou, pela primeira vez desde o início das medições, em 1988, que a devastação subiu por quatro anos seguidos. Foram 13.235 km2 de degradação, o equivalente a dez vezes a área da cidade do Rio de Janeiro — um aumento de 22% em relação a 2020.

Se os anúncios anuais do Prodes denunciam a escalada vertiginosa do desmatamento, o Instituto Socioambiental (ISA) revela a consolidação da destruição da Amazônia, com perdas florestais severas ao longo dos últimos três anos em Terras Indígenas e Unidades de Conservação.

Comparando a média do desmatamento acumulado dos três anos do governo atual (2019 a 2021) com os três anos anteriores (2016 a 2018), o salto foi de 79%.

Durante o período de medição do Prodes (ago/2020-jul/2021), o desmatamento no interior das áreas protegidas representou 16,7% do desmatamento total na Amazônia Legal.

Além disso, o instituto comprova que as áreas protegidas estão sendo extremamente pressionadas não somente pelo desmatamento, mas também por outros tipos de degradação ambiental, como a exploração ilegal de madeira, garimpo, incêndios criminosos e grilagem — crime facilitado por cadastros irregulares no Cadastro Ambiental Rural (CAR).

O documento pontua ainda que as ilegalidades estão em grande parte sobrepostas, acontecem de forma paralela e comprometem diretamente as populações tradicionais que vivem historicamente nas áreas protegidas.

“Não vou admitir que Ibama saia multando a torto e à direita por aí, bem como ICMBio, essa festa vai acabar” – Fala de Jair Bolsonaro em 2018, logo após sua eleição à Presidência.

Desde o início do atual governo até o mês de setembro de 2021, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) haviam executado apenas 22% do montante disponível para ações contra o desmatamento e incêndios florestais.




“Isso representa toda a desarticulação de fiscalização e de não cobrança de multas. De favorecer o crime ambiental com propostas legislativas que enfraquecem todo o marco legal. As áreas protegidas na Amazônia estão sendo detonadas”, alerta Antonio Oviedo, coordenador do Programa de Áreas Protegidas do Instituto Socioambiental (ISA).

De forma ampla, o desmatamento em 2021 dentro das áreas protegidas se concentrou em 20 Terras Indígenas e 26 Unidades de Conservação federais e estaduais, localizadas em regiões pressionadas pela abertura de estradas vicinais, grilagem de terras, expansão agropecuária e implementação de obras de infraestrutura.

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