O planeta deverá continuar enfrentando temperaturas extremas nos próximos anos. Um novo relatório divulgado nesta quinta-feira (28) pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), aponta que as temperaturas médias globais devem permanecer em níveis recordes ou próximos disso entre 2026 e 2030.
O estudo indica que há 75% de probabilidade de que a média da temperatura global nesses cinco anos fique mais de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, ampliando o alerta sobre o avanço do aquecimento global e seus impactos climáticos.
Os dados reforçam uma tendência já observada na última década. Segundo a OMM, os anos entre 2015 e 2025 formaram a sequência dos 11 anos mais quentes já registrados desde o início das medições meteorológicas.
O boletim climático foi elaborado pelo Serviço Meteorológico do Reino Unido em parceria com 13 centros internacionais de pesquisa e análise climática.
Risco de novo recorde global
Além da manutenção do calor extremo, o relatório considera altamente provável que um novo recorde anual de temperatura seja registrado antes do fim da década.
De acordo com o estudo, existe 86% de chance de que pelo menos um dos anos entre 2026 e 2030 supere o recorde atual de calor global registrado em 2024.
Os pesquisadores atribuem parte dessa possibilidade à chance de formação de um novo fenômeno El Niño nos próximos anos.
— Há previsão de um episódio de El Niño até o fim de 2026, o que aumentou as chances de que o ano seguinte, 2027, seja o próximo ano recorde — declarou Leon Hermanson, principal autor do relatório.
Segundo a OMM, os modelos climáticos já apontam uma tendência de aquecimento das águas do Pacífico tropical, sobretudo entre 2027 e 2028, cenário considerado preocupante pelos especialistas.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal da superfície do oceano Pacífico equatorial e costuma provocar mudanças significativas nos padrões climáticos em diferentes regiões do mundo, influenciando períodos de seca, chuvas intensas e ondas de calor.
O episódio mais recente do fenômeno, registrado entre 2023 e 2024, esteve associado a um dos períodos mais quentes já documentados globalmente.
Planeta seguirá acima do limite histórico
O relatório projeta que a temperatura média da superfície terrestre deverá permanecer entre 1,3°C e 1,9°C acima dos níveis pré-industriais, usados como referência climática internacional a partir da média registrada entre 1850 e 1900.
A OMM também avalia como “muito provável”, com 91% de chance, que pelo menos um dos anos entre 2026 e 2030 ultrapasse temporariamente o limite de 1,5°C acima da era pré-industrial.
Esse patamar já havia sido superado em 2024, quando a temperatura média global atingiu cerca de 1,55°C acima da média histórica.
Apesar disso, o relatório ressalta que os limites previstos no Acordo de Paris são medidos em escalas de longo prazo, normalmente avaliadas ao longo de duas décadas. Isso significa que ultrapassagens pontuais em anos isolados não representam automaticamente o fracasso das metas climáticas globais.
Ainda assim, os cientistas alertam que esses episódios temporários tendem a se tornar cada vez mais frequentes conforme o planeta continua aquecendo.
Por outro lado, o estudo considera extremamente improvável — com menos de 1% de chance — que o aquecimento global ultrapasse 2°C acima dos níveis pré-industriais nos próximos cinco anos.
Ártico preocupa especialistas
Outro ponto de preocupação destacado no relatório é o avanço acelerado do aquecimento no Ártico.
Segundo a OMM, a região deverá continuar aquecendo em velocidade muito superior à média global. A previsão é de que, nos próximos cinco invernos prolongados do hemisfério norte — entre novembro e março —, as temperaturas no Ártico fiquem cerca de 2,8°C acima da média registrada entre 1991 e 2020.
Os especialistas também projetam redução contínua da cobertura de gelo marinho em regiões como os mares de Barents, Bering e Okhotsk entre 2026 e 2035.
Além disso, o relatório prevê aumento das chuvas acima da média nas altas latitudes do hemisfério norte durante os próximos invernos, cenário que pode alterar ecossistemas, afetar populações locais e intensificar impactos ambientais.
Década decisiva para o clima
Os novos dados divulgados pela ONU reforçam a preocupação internacional com a velocidade do aquecimento global e aumentam a pressão sobre governos para acelerar medidas de redução das emissões de gases do efeito estufa.
Nos últimos anos, cientistas têm alertado que o avanço das temperaturas médias globais eleva o risco de eventos climáticos extremos, como ondas de calor prolongadas, secas severas, enchentes, incêndios florestais e derretimento acelerado de geleiras.
O relatório divulgado nesta quinta-feira reforça que, mesmo sem um colapso imediato das metas do Acordo de Paris, o mundo está cada vez mais próximo de ultrapassar limites considerados críticos para a estabilidade climática do planeta.






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