O ex-presidente Michel Temer foi acionado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para garantir aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que seus ministros nem a Corte não seriam atacados durante o discurso que fez na Avenida Paulista nesse domingo (25). Segundo relatos de integrantes do Supremo a Daniela Lima
, no g1, Temer os procurou pessoalmente para transmitir o compromisso de Bolsonaro em manter um tom moderado em seu discurso. Ele teria dito que Bolsonaro reconhecia os riscos de uma fala anti-institucional e que se comprometeria a baixar o tom e até mesmo falar em “pacificação”.
Temer foi chamado por Bolsonaro e pegou um avião exclusivamente para conversar com o ex-presidente. Essa é a segunda vez que o emedebista é acionado por Bolsonaro em momento de crise.
Em 2021, após o ato do 7 de setembro em que Bolsonaro bradou que não mais cumpriria ordem judicial, Temer foi chamado ao Planalto e redigiu uma carta na qual Bolsonaro se retratava pela fala e elogiava o ministro Alexandre de Moraes.
Apesar da interlocução de Temer, Bolsonaro já possui um histórico de ataques ao STF e seus ministros. A trégua retórica de 2021, por exemplo, não durou muito tempo.
Na Paulista neste domingo, Bolsonaro manteve o que havia sido sinalizado por Temer ao Supremo. No entanto, há muitas provas que comprometem o ex-presidente, segundo integrantes da Corte: os vídeos de reunião de cunho golpista, os áudios, as mensagens e as minutas que precedem o 8 de janeiro de 2022 não desaparecem nem pelo tom mais moderado do ex-presidente nem pelo fato de ele ter juntado milhares de pessoas na Paulista.
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