Tarifaço de Trump: Lula não vai abanar o rabo e dizer I love you, diz Haddad

Ministro da Fazenda afirma que Lula não tem comportamento submisso como Bolsonaro

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manterá uma postura firme e diplomática diante dos Estados Unidos, especialmente em um cenário de tensão comercial com o possível retorno de Donald Trump ao poder.

Segundo Haddad, Lula não repetirá a conduta adotada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que, na avaliação do ministro, demonstrava subserviência ao governo norte-americano. “Você não vai querer que o presidente Lula se comporte como o Bolsonaro se comportava, abanando o rabo, falando ‘I love you’ e batendo continência. O presidente Lula tem outro tipo de perfil”, declarou Haddad, em entrevista à CNN Brasil.

Crítica à política externa anterior

A fala ocorre em meio a discussões sobre as tarifas de importação impostas por Trump, que podem impactar diretamente o comércio exterior brasileiro. Haddad destacou que o governo atual está buscando canais diplomáticos para restabelecer o diálogo com racionalidade, mas sem abrir mão da soberania e do respeito institucional.

“Vocês estão falando da maior potência do mundo, que resolveu virar a mesa. Estamos procurando os canais para trazer para a racionalidade”, afirmou o ministro, ao destacar que é preciso haver protocolos claros nas relações bilaterais.

Preocupação com constrangimentos internacionais

O ministro também alertou para a necessidade de evitar situações vexatórias em encontros diplomáticos de alto nível. Ao mencionar o caso do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, que segundo ele “passou um papelão na Casa Branca”, Haddad disse que o Brasil precisa garantir que Lula seja respeitado internacionalmente.

“Se houver uma reunião entre os presidentes, temos que ter segurança de que não vai acontecer com o presidente Lula o que aconteceu com o Zelensky. Ou você se dá algum respeito, ou vai virar motivo de chacota”, afirmou.

Esperando sinais de Washington

Haddad ainda ressaltou que o governo brasileiro está em compasso de espera, tentando entender qual será a verdadeira intenção dos Estados Unidos no cenário econômico e político internacional. “Estamos todos pisando em ovos aguardando para saber o que os EUA realmente querem”, concluiu.

A declaração vem na esteira de articulações entre parlamentares brasileiros e congressistas norte-americanos para discutir os prejuízos do chamado “tarifaço” a estados e setores produtivos tanto no Brasil quanto nos EUA, indicando um esforço do governo federal para esgotar todas as possibilidades de negociação antes de adotar medidas mais contundentes.

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