O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), chegou pouco antes das 11h desta quinta-feira ao 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”, para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), informa reportagem do Globo. A visita foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e ocorre após um episódio recente de tensão política envolvendo o entorno do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Antes de seguir para a unidade da PM no Distrito Federal, Tarcísio cumpriu agenda em Brasília. Às 9h, reuniu-se com o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, para tratar de projetos de interesse do estado de São Paulo. O retorno do governador à capital paulista está previsto para ainda hoje.
O cancelamento e o ruído político
A visita desta quinta-feira acontece depois do cancelamento de um primeiro encontro, na semana passada. À época, uma declaração de Flávio Bolsonaro antecipando o teor da conversa gerou mal-estar no entorno do governador. O senador afirmou que Bolsonaro diria a Tarcísio que sua prioridade deveria ser a reeleição em São Paulo e que uma candidatura presidencial estaria “descartada” para ele.
Aliados do governador interpretaram a fala como uma tentativa de enquadramento público, elevando o custo político de um gesto que vinha sendo tratado como pessoal. Horas depois, Tarcísio desmarcou a visita, sob a justificativa formal de compromissos no estado. Interlocutores, no entanto, relataram incômodo com a repercussão da declaração e com a leitura de que o encontro poderia ser explorado como sinal de alinhamento automático à pré-candidatura de Flávio ao Planalto.
Mudança de tom e tentativa de distensão
Após o episódio, o discurso no entorno do senador mudou de tom. Flávio passou a tratar a reunião como uma conversa pessoal, em esforço para reduzir o desgaste e esvaziar o caráter eleitoral do encontro.
“Meu pai vai gostar muito de receber Tarcísio lá. Acho que vai ser bom eles baterem papo. Vai ser mais um papo entre amigos. Se depender de mim, a direita vai estar unida”, afirmou ao Globo.
Nos bastidores, a avaliação é que a visita desta quinta-feira funciona como um gesto de distensão depois do ruído da semana passada, sem, contudo, encerrar a disputa sobre o papel de Tarcísio no arranjo eleitoral de 2026. Publicamente, o governador mantém a posição de que é candidato à reeleição em São Paulo e evita assumir compromissos adicionais no cenário nacional neste momento.
Bolsonaro como polo de convergência
O encontro ocorre em um contexto em que Bolsonaro, mesmo preso, segue como ponto de convergência do campo conservador. A sequência de pedidos de visita de aliados tem sido interpretada como um movimento de reaproximação e de posicionamento político, em meio à reacomodação interna da direita.
No PL, o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, tem defendido que as decisões eleitorais passem pelo crivo do ex-presidente. Já o coordenador da pré-campanha de Flávio, Rogério Marinho, está autorizado a visitá-lo no próximo dia 4, sinalizando a continuidade das articulações.






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